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De predadora a presa: recuperação da Espanha atrai aquisições

Manuel Baigorri e Charles Penty

(Bloomberg) -- As empresas da Espanha estão na moda novamente.

A italiana Atlantia anunciou na segunda-feira uma oferta de 16,34 bilhões de euros (US$ 17,9 bilhões) pela Abertis Infraestructuras para criar o maior operador de estradas com pedágio do mundo, um acordo que pode ser a maior aquisição de uma empresa espanhola em uma década. A oferta é um sinal do crescente apelo dos ativos do país à medida que a economia, devastada durante a crise financeira, continua a melhorar.

O volume de fusões e aquisições envolvendo alvos espanhóis aumentou 57 por cento nos últimos 12 meses, para cerca de US$ 63 bilhões, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Se for bem-sucedida, a oferta da Atlantia para comprar a Abertis seria a maior desde 2007, quando a italiana Enel e a empresa espanhola de infraestrutura Acciona compraram a empresa de energia Endesa em um acordo histórico antes que a economia caísse em uma crise de cinco anos no fim de 2008.

A oferta da Atlantia é "um voto de confiança na Espanha e mostra como as empresas do país estão estabelecidas na economia global", disse Mauro Guillén, professor de administração e relações internacionais da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia.

O interesse dos investidores estrangeiros cresceu à medida que a economia da Espanha dá continuidade a uma recuperação que já dura 14 trimestres consecutivos. A eleição do primeiro-ministro Mariano Rajoy, do Partido Popular, que é favorável aos negócios, a um segundo mandato no ano passado também ajudou a consolidar um período de estabilidade política no país.

Compradores e vendedores

O aumento da confiança na Espanha abriu o caminho para três transações significativas no ano passado. O maior prestador de serviços de saúde de capital aberto da Europa, Fresenius, decidiu comprar o grupo hospitalar espanhol IDC Salud Holding SLU, também conhecido como Quironsalud, por 5,76 bilhões de euros.

A Global Infrastructure Partners, do Canadá, adquiriu uma participação de 20 por cento no fornecedor de gás espanhol Gas Natural SDG por 3,8 bilhões de euros, e a Siemens, maior empresa de engenharia da Europa, e a Gamesa Corp. Tecnológica decidiram fusionar suas unidades de fabricação de turbinas eólicas.

Há um contraste com os anos anteriores, quando algumas das maiores companhias de capital aberto da Espanha compraram empresas no exterior para reduzir a exposição ao mercado interno. Somente em 2014, as companhias espanholas gastaram US$ 22 bilhões comprando ativos fora do país, principalmente investindo em negócios nas Américas, de acordo com dados da Bloomberg.

No entanto, pode haver nuvens no horizonte espanhol.

Como líder de um governo minoritário, Rajoy pode ter dificuldades para conseguir muito mais em termos de reformas econômicas. O presidente espanhol necessita da boa vontade da oposição socialista para aprovar uma legislação-chave para garantir que o Parlamento não fique travado. No entanto, os socialistas estão mergulhados em uma luta pela liderança do partido, que culminará nas primárias previstas para 21 de maio. Uma vitória do ex-líder Pedro Sánchez, crítico acérrimo dos escândalos de corrupção que rodeiam o Partido Popular de Rajoy, levaria os socialistas a um conflito mais aberto com Rajoy e seu governo.

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