Europa acompanha crise de Trump com frustração e fatalismo

Gregory Viscusi, Helene Fouquet, Arne Delfs e Timothy Ross

(Bloomberg) -- Autoridades europeias que se prepararam para uma rodada de cúpulas com Donald Trump se conformaram que terão de aprender a lidar com um presidente americano que consideram cada vez mais imprevisível.
Enquanto a Casa Branca se envolve em um ciclo quase diário de polêmicas, autoridades em três capitais europeias reconhecem que não há escolha a não ser tentar trabalhar com o governo dos EUA.

Um desses representantes relatou que é impossível tentar convencer os EUA a se envolverem nos preparativos para as cúpulas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do Grupo dos Sete, na semana que vem. Outro disse que os aliados dos EUA precisam se preparar para o pior caso a situação de Trump se agravar. Um terceiro afirmou que, embora o quadro seja muito preocupante, o Reino Unido confia que seu relacionamento institucional com os EUA é forte o bastante para sobreviver a uma crise prolongada em Washington.

O lado bom disso para a Europa é que Trump, voltado para outras questões, pode não conseguir avançar seus planos de aumentar os gastos com defesa e implementar medidas comerciais protecionistas e que se referem à mudança climática. Contudo, é impossível haver progresso em temas como refugiados ou economia global sem que a maior potência mundial esteja envolvida.

"É muito difícil saber em que acreditar, quais são as bombas, quais são os disfarces", disse Anthony Gardner, ex-embaixador dos EUA na União Europeia. "Não adianta ser crítico demais, seria contraproducente."

Gardner, que deixou o posto em Bruxelas quando Trump assumiu a presidência, aconselha os europeus a "esperar até a poeira baixar".

Em busca de clareza

É improvável que os líderes europeus consigam o que querem de Washington - estabilidade, previsibilidade e clareza. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, vão encarar um presidente americano com capacidade já limitada de se envolver em questões globais.

Um dos representantes europeus disse que não administraria sequer uma empresa da forma como Trump administra o governo. Outro citou as conversas preparatórias para o G-7 como exemplo dos desafios enfrentados. O principal problema, na visão dele, é que os EUA não conseguem comunicar uma linha de pensamento estabelecida e os diplomatas comparecem aos encontros anteriores à cúpula com pouca ou nenhuma orientação para as negociações. Segundo ele, o resultado é pouco progresso na direção de um acordo e o risco real de que o comunicado de conclusão do G-7 seja "vazio" ? sem nada substancial para dizer em relação ao clima ou à economia.

Os representantes europeus pediram anonimato porque não têm autorização para falar publicamente.

"Mesmo em áreas nas quais os europeus têm diferenças com o governo Trump, eles prefeririam uma contraparte nos EUA estável e previsível, com quem pudessem se engajar construtivamente, a uma Casa Branca desorganizada e tomada por crises", disse Erik Brattberg, diretor do programa europeu do Carnegie Endowment, com sede em Washington.

Funcionários da Casa Branca estão tentando fazer com que as atenções retornem para a agenda de Trump, especialmente esta viagem. Em 16 de maio, um dia após a notícia de que Trump compartilhou informações confidenciais com diplomatas russos, o conselheiro de Segurança Nacional, H.R. McMaster, passou o itinerário do presidente a repórteres, mas o encontro com a imprensa foi dominado por perguntas sobre as revelações aos russos.

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