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Fundos de hedge de estratégia macro entregam microrretorno

Saijel Kishan

(Bloomberg) -- Os mercados financeiros deixaram de fazer sentido para gestores de recursos do ponto de vista macroeconômico, como Mark Spindel.

Após três décadas focando em tendências econômicas, oscilações cambiais, política e programas governamentais, Spindel reconheceu que não entende mercados definidos por volatilidade baixa e algoritmos. Ele finalmente jogou a toalha e fechou o fundo de hedge que criou há nove anos.

"Senti muito duramente a intensidade de seguir os mercados em um momento de maior confusão política e econômica", lembrou Spindel, fundador da Potomac River Capital, em Washington. "Toda a minha carreira foi centrada no entendimento da política monetária e comecei a ter dificuldades com tudo aquilo. Era exaustivo."

Esta é uma época turbulenta e preocupante para gestores macro ? herdeiros do precursor George Soros que já foram chamados de senhores do universo. Eles quase não ganharam dinheiro neste ano. Outra vez, suas taxas de retorno são pífias quando comparadas às de fundos baratos que acompanham índices. Muitos investidores partiram.

Andrew Law, da Caxton Associates, teve perdas recordes. Alan Howard amargou o pior primeiro semestre até hoje para seu fundo de hedge. Até veteranos como Louis Bacon registraram perdas. No mês passado, o filho de Soros, Robert, reconheceu que a firma da família realizou menos apostas macroeconômicas por causa da falta de oportunidades.

Será que nesta era de medidas monetárias não testadas e algoritmos, o estilo clássico desses fundos de hedge ainda funciona?

Mercados opacos

A velha guarda fez fortuna quando os mercados eram mais opacos, menos eficientes e poucos tinham acesso a determinadas informações. Era mais fácil se agarrar a tendências de preços, o uso de alavancagem era pesado e havia menos concorrência. Atualmente, os fundos se deparam com tecnologias que distribuem informações de modo mais rápido e disseminado e alguns algoritmos identificam anomalias de preços quase instantaneamente.

Na média, o retorno dos gestores de perfil macro foi inferior a 1 por cento no primeiro semestre e eles quase não ganharam dinheiro nos últimos cinco anos, segundo dados da Hedge Fund Research. Já a indústria de fundos de hedge como um todo teve retorno de 2,6 por cento neste ano e de 1,9 por cento ao ano nos últimos cinco anos.

Após um breve momento feliz no final de 2016, com a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA, a sorte dos gestores macro virou neste ano, diante da queda do dólar e do petróleo, do avanço das bolsas e da crise política no Brasil. Paralelamente, a volatilidade nos mercados de ações e câmbio caiu para o menor nível em anos.

Os investidores perderam a paciência com essa estratégia e retiraram US$ 3,8 bilhões de fundos de gestores macro discricionários nos primeiros três meses deste ano, marcando o quinto trimestre consecutivo de saída de recursos, segundo dados da HFR. Enquanto isso, entraram US$ 4,9 bilhões em fundos macro definidos por modelos de computação.

Durante anos, os profissionais da área culparam os bancos centrais pelo fato de não entregarem ganhos notáveis. Com juros baixos no mundo todo, ficou difícil ganhar dinheiro em cima das diferenças entre os países. Alguns dizem que, com as probabilidades para dados econômicos e de mercado calculadas por computadores, é um desafio competir com algoritmos capazes de causar movimentações de preços de curto prazo e criar ciclos de investimento mais curtos e acentuados.

"O elefante na sala é que as estratégias macro deveriam ter ido bem nos últimos sete anos devido a todos os eventos políticos e econômicos", disse Adam Duncan, diretor-gerente da assessoria a investidores Cambridge Associates, em Boston. "Porém, ninguém ganhou nada. A ideia de que não houve oportunidade não é verdadeira. Os mercados se movimentaram para todo lado."

--Com a colaboração de Katia Porzecanski Klaus Wille e Nishant Kumar

Versão em português: Patricia Xavier em Sao Paulo, pbernardino1@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Saijel Kishan em N York, skishan@bloomberg.net.

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