Países pequenos e ilhas estão à frente da revolução digital

Andre Tartar

(Bloomberg) -- Economias maiores podem estar correndo o risco de perder a corrida digital para países menores e mais ágeis.

Vários países nórdicos, a Suíça e a Coreia do Sul, centrada na tecnologia, estão à frente dos EUA e do Japão, de acordo com um ranking de economia digital conduzido por pesquisadores da Universidade Tufts em parceria com a Mastercard. Quando também se leva em consideração o impulso digital relativo dos países, as verdadeiras estrelas são Nova Zelândia, Cingapura e Emirados Árabes Unidos.

Mais de 170 indicadores, como penetração da banda larga móvel, leis de propriedade intelectual e dados anônimos da Mastercard, foram utilizados para classificar 60 países até 2015 e mostrar até onde eles avançaram desde 2008. Esta pontuação, que os pesquisadores chamaram de Índice de Evolução Digital, quantifica a interação entre demanda e oferta dentro da economia digital, o nível de apoio concedido por governos e instituições e o ritmo da inovação.

A Nova Zelândia, que atualmente preside o Digital 5 (D5) ? um grupo de governos com mentalidade digital fundado em 2014 ?, recentemente se apresentou aos empreendedores do setor tecnológico como um espaço seguro para se desenvolver longe de conflitos geopolíticos. Entre outros países classificados como 'destaques' pelo ranking estão a Estônia, um membro do D5 onde a maioria dos serviços públicos está disponível pela internet, e o Reino Unido, cujos consumidores digitais esbanjadores e a economia web vibrante podem lhe dar uma vantagem extra ao negociar um futuro pós-Brexit.

Em grande parte, as vantagens se resumem à disposição política e à maior coordenação no ambiente digital, disse Bhaskar Chakravorti, vice-reitor de negócios e finanças internacionais da The Fletcher School, da Universidade Tufts. Como exemplo, ele mencionou os sistemas de pagamento eletrônico em que usuários, comerciantes e provedores de tecnologia precisam fazer a transição simultaneamente. "Isso é muito mais efetivo em uma economia menor, como a dos Emirados Árabes Unidos, e muito mais difícil em uma economia como a dos Estados Unidos, que têm muitos atores", disse ele.

O principal ponto fraco dos EUA é o investimento insuficiente em infraestrutura digital, apesar de sua classe de consumidores adeptos à tecnologia e dos dólares de capital de risco injetados em startups. Grandes faixas da zona rural dos EUA ainda não têm uma cobertura de banda larga confiável, e não se sabe se uma proposta de US$ 25 bilhões em 10 anos da Casa Branca poderia fazer diferença.

A ênfase maior no acesso à banda larga em países como Noruega e Finlândia, o primeiro a torná-lo um direito legal, é em parte o motivo pelo qual eles tiveram as mais altas pontuações na avaliação digital. No entanto, esses países poderiam ser eclipsados à medida que seu desenvolvimento digital se estabilizar.

Enquanto isso, a turbulência geopolítica e as sanções internacionais enfrentadas por algumas das economias que mais rapidamente melhoram ? como Rússia, Arábia Saudita e Turquia ? parecem insuficientes para frustrar o efeito do aumento do uso de smartphones e redes sociais por parte de suas populações. Ao mesmo tempo, um crescente escândalo de corrupção política não impediu a gigante digital chinesa Alibaba Group Holding de abrir seu primeiro centro de comércio eletrônico no exterior, na Malásia. Dois outros membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) ? Filipinas e Indonésia ? também estão entre os 15 países com digitalização mais acelerada.

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