Banco de Andorra mira brasileiros ricos em Miami para crescer

Felipe Marques e Aline Oyamada

(Bloomberg) -- O Andbank, instituição financeira de Andorra com US$ 26 bilhões sob gestão, está reforçando a disputa pelos brasileiros ricos que moram em Miami.

O maior banco do microestado europeu contratou sete pessoas para seu time de private-banking para clientes da América Latina em Miami em 2017, elevando o total para 22, e poderia adicionar até mais oito até o fim do ano, disse Carlos Moreno de Tejada, diretor-gerente e chefe para as Américas do Andbank, em entrevista em São Paulo.

"Estamos entrevistando pelo menos um banqueiro especializado em gestão de fortunas ou assessor financeiro independente por semana", disse Tejada, um espanhol nativo. "A concorrência para contratação em Miami é feroz e a obtenção de visto está se transformando em uma dificuldade séria."

Miami é o destino favorito de muitos brasileiros devido à proximidade com a América Latina, à sua identidade cultural e ao clima similar. Instituições financeiras brasileiras como Itaú Unibanco, Grupo BTG Pactual, XP Investimentos e Banco Bradesco já têm escritórios na cidade. Um programa recente de anistia fiscal do governo do Brasil liberou US$ 52 bilhões em ativos para investir em um momento em que muitos brasileiros transferiram suas fortunas agora legalizadas de paraísos fiscais para a cidade do sul da Flórida.

O Andbank abriu sua unidade de corretagem em Miami há três anos, mirando clientes com pelo menos US$ 1 milhão para investir. "O mercado é difícil, mas tivemos um crescimento exponencial", disse Carlos Gribel, chefe de renda fixa da Andbanc Brokerage na cidade.

Transferências suíças

A unidade de Miami administra cerca de US$ 800 milhões, incluindo ativos em seus negócios de corretagem e consultoria de investimento. Desde outubro, após o programa de anistia, houve uma grande entrada de dinheiro proveniente de bancos suíços para os EUA, onde as taxas de private banking são "muito mais baratas", disse ele.

O Andbank também espera expandir seus negócios no Brasil. A unidade local planeja contratar mais três pessoas neste ano, aumentando o número de funcionários para 17. O banco também está em negociações avançadas para possíveis aquisições de family offices locais, segundo Leonardo Marques Hojaij, superintendente de private-banking da instituição no Brasil.

"Existem vários family offices de médio porte com R$ 500 milhões (US$ 157 milhões) a R$ 1 bilhão sob gestão com dificuldades para andar com as próprias pernas, mas que poderiam ser relevantes para nós", disse Hojaij, acrescentando que um acordo pode ser fechado até o fim do ano.

O Andbank busca apenas acordos que permitam que ele seja acionista majoritário, acrescentou Tejada.

Os planos do Andbank surgem após o acordo do UBS Group para compra de uma participação majoritária na Consenso Investimentos, maior multi-family office independente do Brasil, a mais recente aposta de um banco suíço no crescimento do setor. O total de ativos sob gestão no setor de private-banking no Brasil cresceu quase 17 por cento no ano passado, para R$ 831,6 bilhões, segundo dados de dezembro da Anbima, a associação dos mercados de capitais. Em 2017, uma enxurrada de ofertas públicas iniciais e fusões deverá ampliar esse crescimento.

O outro plano do Andbank para ganhar terreno no Brasil envolve o lançamento de uma plataforma digital de investimento que oferece aos clientes a possibilidade de comprar produtos de diversos bancos e fundos de investimento -- uma estratégia semelhante à que transformou a XP Investimentos na terceira maior corretora do país em volume de negociação de ações.

"É no Brasil que estamos investindo agora", disse Tejada. "Esse é o lugar para se estar na América Latina."

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