Ônibus-robô é treinado em Paris para lançamento nos EUA

Marie Mawad e Ania Nussbaum

(Bloomberg) -- A Navya Technologies, uma fabricante francesa de ônibus sem motorista, está treinando suas máquinas orientadas por robôs para que trafeguem desviando de executivos de bancos e diretores de empresas no movimentado distrito empresarial de Paris antes da investida para a venda de 150 veículos nos EUA até o fim de 2018.

Apoiada por um empreendedor francês dos setores de robótica e videogames e pela fabricante de autopeças Valeo, a Navya participa de um investimento de US$ 1 milhão em uma planta em Saline, Michigan, para montagem de veículos movidos a bateria para o mercado norte-americano. Sua fábrica atual em Lyon, na França, produziu cerca de 50 miniônibus até o momento para demonstração em lugares como o aeroporto Heathrow, em Londres, e o distrito empresarial parisiense de La Defense, onde instituições como o Société Générale e as seguradoras Axa e Allianz possuem escritórios.

"O mundo todo está se posicionando nesse mercado -- fabricantes de autopeças, cidades, governo, mas ninguém tem uma visão clara de como será a direção autônoma", disse o CEO Christophe Sapet em entrevista. "É claro que disputaremos ombro a ombro com Uber, Mercedes e outros, mas seremos mais rápidos."

A startup se une a uma série de empresas que estão estudando a direção autônoma, como Google, HERE e fabricantes de automóveis tradicionais. Embora muitos veículos atualmente já ofereçam recursos como assistente de direção em rodovias ou para estacionar, a autonomia total é um objetivo de longo prazo para alguns.

A Easymile, que é apoiada pela fabricante de trens Alstom, e a Local Motors, que tem sede nos EUA, também fabricam miniônibus autônomos. Sapet, o CEO da Navya, afirma que sua empresa pretende se destacar produzindo tanto os ônibus quanto o software e provando antes das concorrentes que os veículos são seguros para uso nas cidades.

'Vida real'

A Navya projeta que venderá cerca de 450 unidades até o fim do ano que vem, um terço delas nos EUA, para onde já enviou alguns veículos rumo à Universidade de Michigan para transporte dentro do campus. Cidades, universidades e empresas que querem transportar funcionários são possíveis clientes, disse Sapet. Ele vendeu dois veículos à SB Drive, uma unidade da japonesa Softbank Group.

"Este ano será crucial para nós", disse Sapet. "Se conseguirmos bater nossa meta de vendas e nos expandir internacionalmente, precisaremos arrecadar dinheiro, já que pensamos em produzir carros menores e levar os negócios à Ásia."

O atual modelo Arma da Navya, que acomoda até 15 passageiros e tem uma velocidade máxima de 25 quilômetros por hora, transporta várias centenas de pedestres por dia nos arredores de Paris. O computador de bordo usa uma mistura de sinais de geolocalização, sensores, câmeras e radares de luz para escanear e interpretar os arredores. Os dados de mapeamento são fundamentais para as operações.

O micro-ônibus trafega na verdade a cerca de 5 quilômetros por hora -- não muito mais rápido do que uma pessoa caminhando, mas consegue atrair passageiros que fogem da chuva, que precisam transportar bagagem ou que simplesmente estão curiosos. O motorista-robô, monitorado remotamente por uma equipe de engenheiros, aprende novas habilidades ao longo do caminho.

"A direção automatizada está pronta para a vida real: transportamos um número suficiente de pessoas e lidamos com várias surpresas na rua", disse Sapet. "Nosso desafio agora é provar que é 100 por cento segura."

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