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Enigma de telecomunicações dos EUA faz Wall Street de refém

Alex Sherman

(Bloomberg) -- A colisão entre o mundo móvel e o mundo do cabo está dando aos assessores de Wall Street uma lição de alto risco em um problema da teoria dos jogos conhecido como "dilema do prisioneiro".

No centro do dilema do setor de telecomunicações dos EUA está a Sprint, empresa deficitária que é a quarta maior operadora de telefonia móvel desse país. A Sprint expressou publicamente seu desejo de consolidação, como compradora ou vendedora. Mas, assim como prisioneiros que precisam decidir se vão confessar sem saber o que os outros farão, o dilema para os participantes desse jogo multidimensional de fusões e aquisições é dar o primeiro passo ou permanecer imóvel ? enquanto tenta adivinhar o que cada concorrente poderia fazer.

"Existe um número finito de participantes, e um número ainda menor de combinações possíveis", disse John Harrison, diretor de mídia e entretenimento da EY. "Tanto as companhias quanto seus assessorem têm medo de perder ou de ficar isolado estrategicamente."

A SoftBank Group de Masayoshi Son, maior acionista da Sprint, pode escolher diversos caminhos que poderiam definir o jogo. Poderia vender a Sprint para a T-Mobile US, terceira maior operadora de telefonia móvel dos EUA, controlada pela Deutsche Telekom. Ou poderia fusioná-la com uma operadora de cabo, como a Charter Communications, com fundos e ações da SoftBank. A SoftBank tem US$ 65 bilhões em financiamento de dívida prontos para uma oferta, caso decida avançar, disseram pessoas a par do assunto em 1º de agosto.

Abordar a Charter poderia atrair a divisão americana da Altice, que atualmente estuda uma oferta por sua colega de cabo. A Verizon Communications considerou comprar a Charter em janeiro e poderia retomar esse ativo caso receie perdê-lo para uma rival, como a Sprint. No entanto, a Comcast e a Charter assinaram um pacto neste ano que dá poder de voto à Comcast em relação a qualquer transação que envolva a empresa de tecnologia wireless. Isso se aplicaria à Verizon e à Sprint, mas talvez não à SoftBank.

Tomar partido

Os bancos de Wall Street normalmente precisam escolher uma companhia para assessorar, e possivelmente financiar, em uma potencial transação. Embora algumas dessas relações tenham sido estabelecidas há décadas, outras mudam de acordo com a transação. O motivo é simples: os executivos dos bancos querem apoiar as empresas com a maior chance de finalizar uma transação, porque ganham a maior parte de seus honorários por negócios fechados, não por tentativas de negócios.

O setor de telecomunicações já realizou algumas transações gigantescas provocadas pela consolidação de participações de mercado, e até mesmo algumas que se estenderam a outros setores. O exemplo mais recente foi a compra da Time Warner pela AT&T, por US$ 85,4 bilhões, que aguarda aprovação regulatória. A diferença desta vez é o possível efeito dominó de uma combinação entre empresas wireless e de cabo, algo inédito nos EUA. Por isso, a Charter é um ativo valioso, e suas ações subiram cerca de 38 por cento neste ano.

(Atualizações com números de assinantes da Sprint, renda líquida no 10º parágrafo.)

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