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Mais três CEOs dão as costas ao CEO que é presidente dos EUA

Jeff Green

(Bloomberg) -- O primeiro CEO a chegar à presidência dos EUA poderia perder os CEOs dos EUA?

Essa pergunta voltou a surgir na segunda-feira, quando primeiro Kenneth Frazier da Merck & Co. e depois Kevin Plank da Under Armour e Brian Krzanich da Intel abandonaram o grupo empresarial da Casa Branca criado para assessorar Donald Trump.

Embora nenhum deles tenha mencionado o presidente, Frazier, um dos principais CEOs negros do país, saiu do conselho enquanto Trump estava sendo criticado por não ter condenado rapidamente os supremacistas brancos pela violência mortal em uma manifestação realizada sábado em Charlottesville, Virgínia. Frazier disse que agiu por uma "questão de consciência pessoal".

Plank e Krzanich, que são brancos, referiram-se à atmosfera carregada nos EUA. Plank disse que saía porque sua empresa de roupas esportivas "se envolve em inovação e esporte, não em política", e Krzanich, que lidera a maior fabricante de semicondutores do mundo, citou um "clima político dividido" e declarou: "o ambiente atual precisa mudar, senão nosso país se tornará uma sombra do que era e do que ainda pode e deveria ser".

Na segunda-feira, Trump finalmente cedeu à pressão e condenou os grupos de ódio racistas, mas o estrago já estava feito. Frazier e seus compatriotas entraram para o grupo que inclui Elon Musk da Tesla, Bob Iger da Walt Disney e Travis Kalanick da Uber Technologies ? executivos que se afastaram dos conselhos empresariais promovidos por Trump, tomando a decisão incomum de se distanciar publicamente de um presidente em exercício.

Quem será o próximo?

"O valor do conselho consultivo diminui quando membros respeitados saem por questões de princípio", disse James Post, professor emérito da Faculdade de Administração Questrom, da Universidade de Boston. "Considerando que o presidente poderia ter afirmado que aprende com o conselho, agora parece que ele só escuta quando eles concordam com sua opinião."

Independentemente dos motivos que os levaram a sair, os CEOs participantes do conselho consultivo deveriam saber o que poderiam esperar, porque não havia muito mistério em relação às posturas políticas de Trump, disse Nick Donatiello, professor de temas de governança da Faculdade de Administração de Stanford. "Será que ninguém poderia ter previsto nada disso?"

Os CEOs que permanecem no conselho de assessoria ? como os que comandam a Dow Chemical, a General Electric e a Wal-Mart Stores ? precisam fazer seus próprios "cálculos de risco", disse John Rice, CEO da Management Leadership for Tomorrow, um grupo sem fins lucrativos que ajuda empresas, incluindo Goldman Sachs Group e Google, da Alphabet, a encontrar profissionais de minorias. E "eles sabem que vão ser questionados".

A maioria das empresas com CEOs no conselho empresarial não respondeu aos pedidos de comentários ou não quis comentar. Aquelas que responderam reforçaram seu apoio à diversidade e oposição ao fanatismo, ao mesmo tempo em que enfatizam o valor de se envolver com o presidente em questões comerciais.

Quem será o próximo? Este é o grande debate, disse Davia Temin, diretora da empresa de gerenciamento de crises Temin & Co., com sede em Nova York. "Essa conversa é viral nos conselhos agora".

--Com a colaboração de Jordyn Holman Cynthia Koons Josh Eidelson e Jennifer Kaplan

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