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Tambores ecoam em Caracas e oposição aposta nas eleições

Andrew Rosati

(Bloomberg) -- Enquanto a Venezuela se prepara para eleger 23 governadores no domingo, em eleições adiadas por um ano pelo regime socialista, a coalizão de oposição faz incursões em grandes favelas e regiões rurais antigamente consideradas impenetráveis.

O governo do presidente Nicolás Maduro convocou eleições para aliviar a pressão após meses de protestos sangrentos e para demonstrar que a democracia continua viva. Mas o colapso da economia e a propagação da fome neste país rico em petróleo permitiram que seus oponentes entrassem em lugares onde raramente haviam se aventurado.

Um exemplo é José Manuel Olivares, um congressista de 32 anos que se candidata a governador pela segunda vez no estado de Vargas, no norte do país. Em sua campanha de 2012 para representar a fina faixa do litoral que abraça Caracas, os moradores de favelas gritaram e jogaram lixo nele. Na semana passada, ele estava beijando bochechas nas favelas.

"Cinco anos atrás, isso era impossível", disse Olivares. "Nosso maior desafio agora não é o governo, mas sim nós mesmos."

Os postos de votação estão programados para abrir das 8h às 17h no domingo, mas receberão eleitores também fora desse horário. Os resultados vão sair entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira.

As pesquisas eleitorais preveem uma ampla vitória da oposição na maioria dos 23 estados. A Venebarometro, consultoria de Caracas, afirmou que 52 por cento dos eleitores prováveis preferiam candidatos da oposição, em comparação com 28 por cento para os aliados de Maduro.

Tambores de campanha

Na quinta-feira, o último dia permitido para campanha, candidatos em toda a Venezuela apresentaram seus tradicionais argumentos de encerramento, com direito a caravanas de motos, tambores, seguidores agitando bandeiras e discursos suados em cima de carros de som.

Enfrentando uma derrota, o governo de Maduro tentou semear confusão e desencorajar os inimigos. Os candidatos socialistas receberam grandes recursos e acesso fácil aos veículos de comunicação estatais dominantes. A oposição conta apenas com alguns minutos diários em canais de televisão e emissoras de rádio privados.

Em lugares como Vargas, onde o falecido presidente Hugo Chávez acompanhou pessoalmente a reconstrução após deslizamentos de terra quase duas décadas atrás, a influência do atual governador socialista continua evidente, bem como os desafios para a oposição.

Bárbara Guzmán, trabalhadora social de 75 anos, indicou as dezenas de telhados de metal vermelho que pontilhavam a favela onde Olivares fazia campanha.

"Todos foram fornecidos pelo governo", disse ela. "As pessoas aqui nunca vão esquecer."

No entanto, os socialistas governantes parecem na defensiva pela primeira vez. A polícia de inteligência SEBIN deteve candidatos da oposição em carros claramente marcados, pintados de preto mate e chegou a deter até mesmo o irmão de Olivares em um comício no mês passado. Nesta semana, o Conselho Nacional Eleitoral realocou repentinamente cerca de 200 postos de votação.

O maior desafio pode ser a própria votação. Apesar de diversos pedidos, o conselho se recusou a remover da lista os candidatos da oposição malsucedidos na eleição primária, aparentemente na tentativa de confundir os eleitores. As cédulas, com uma dúzia de nomes, conterão até quatro candidatos que já não estão mais na disputa.

"Tudo faz parte da mesma estratégia: desmoralizar o adversário", disse Edgard Guitérrez, diretor da Venebarometro.

--Com a colaboração de Noris Soto e Fabiola Zerpa

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