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Catalunha pode comprometer boom espanhol de fusões e aquisições

Manuel Baigorri

18/10/2017 14h28

(Bloomberg) -- Os investidores espanhóis que estavam desfrutando de um boom de fusões e aquisições neste ano encontraram um problema inesperado: a tentativa de independência da Catalunha.

O volume de transações com alvos espanhóis disparou 83 por cento neste ano, para US$ 62 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg, e a economia deve se expandir pelo menos 3 por cento pelo terceiro ano consecutivo. Desde que deixou para trás a pior recessão de sua história recente, a Espanha suportou impávida atentados terroristas, a falência de um grande banco e 10 meses de impasse sem um governo no ano passado.

Mas a luta do governo catalão para se livrar do controle de Madri poderia acabar sendo um obstáculo muito mais sério.

"Agora, a Catalunha é uma tempestade que poderia se transformar em um furacão se não for resolvida a tempo", disse José María Balaña, sócio corporativo do escritório de advocacia Hogan Lovells em Madri. "A incerteza sobre o assunto já está afetando negativamente as transações, em particular as que envolvem investidores internacionais. Algumas delas estão sendo adiadas ou simplesmente abandonadas."

Dezessete dias depois que o governo rebelde conseguiu organizar um referendo improvisado, desafiando os tribunais espanhóis e a polícia, o primeiro-ministro Mariano Rajoy continua lutando para reafirmar sua autoridade. Ele deu ao presidente catalão, Carles Puigdemont, um prazo até quinta-feira para retirar a reivindicação de um mandato de independência e evitar que o governo central assuma o controle direto da região.

"A única coisa que peço é que o senhor Puigdemont aja com discernimento e equilíbrio, para dar prioridade aos interesses comuns de espanhóis e catalães, e que ele responda se declarou a independência da Catalunha", disse Rajoy nesta quarta-feira no Parlamento em Madri.

"Não vamos ceder", disse Jordi Turull, porta-voz do governo catalão, em entrevista coletiva em Barcelona na terça-feira. "A partir de quinta-feira veremos qual cenário o governo espanhol escolherá, se continuará reprimindo ou sentará a negociar."

Desconfiança

A incerteza na região do nordeste da Espanha, que representa um quinto da economia do país, está começando a causar estragos.

Cerca de 700 empresas transferiram suas sedes legais da Catalunha para outras partes da Espanha depois da votação de 1º de outubro, informou El País, que cita dados do Colégio Espanhol de Escrivães. Na segunda-feira, o governo reduziu sua projeção econômica para 2018 e agora estima um crescimento de 2,3 por cento para o ano que vem, em vez de 2,6 por cento.

No mês passado, Rajoy retirou um anteprojeto de lei orçamentária do Parlamento porque não contava com os votos para aprová-lo. Seus aliados bascos, que também têm que lidar com um movimento separatista, se recusam a apoiar Rajoy enquanto ele não deixar de reprimir os catalães. A falta de orçamento foi outro dos fatores mencionados pelo governo para justificar a redução da projeção de crescimento.

"Até o mês passado, a Espanha era a queridinha dos mercados para fusões e aquisições neste ano", disse Enrique Quemada, presidente do banco de investimento ONEtoONE Corporate Finance em Nova York. "No entanto, o conflito catalão apresenta alguns riscos graves para o futuro, a menos que seja resolvido em breve, porque os investidores internacionais vão ficar mais relutantes em comprar ativos lá."

--Com a colaboração de Eddie Buckle e Charles Penty

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