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Investidores da Daimler querem acelerar separação da Mercedes

Eyk Henning, Elisabeth Behrmann e Christoph Rauwald

23/10/2017 14h41

(Bloomberg) -- A Daimler, que se prepara para a maior reformulação corporativa em uma década, não está avançando rápido o bastante, nem indo longe o suficiente, com um plano que ampliaria os custos e traria benefícios vagos, segundo alguns dos principais acionistas da fabricante de veículos alemã.

O plano da fabricante para se transformar em uma empresa holding com três unidades legalmente separadas -- Mercedes-Benz Cars & Vans, Daimler Trucks & Buses e serviços financeiros -- custará inicialmente pelo menos 100 milhões de euros (US$ 118 milhões) e os gastos aumentarão se o projeto avançar, segundo o diretor financeiro Bodo Uebber. A fabricante com sede em Stuttgart por enquanto descarta desinvestimentos e os investidores só terão chance de votar a respeito em 2019.

"O anúncio da Daimler é entendido como se estivessem deixando a porta aberta para uma separação parcial, mas descartassem uma separação completa da unidade de caminhões", disse Stefan Bauknecht, gerente de fundo da unidade de gerenciamento de ativos do Deutsche Bank, sétimo maior acionista da fabricante. "É incompreensível, porque uma decisão do tipo poderia desbloquear valor, por isso gostaríamos que a Daimler mantivesse todas as opções abertas."

A pressão dos investidores pode servir de alerta para a Daimler porque "quando os acionistas alemães começam a pressionar uma empresa publicamente é apenas questão de tempo para os outros acionistas seguirem o exemplo", disse Arndt Ellinghorst, analista da Evercore ISI, em relatório, nesta segunda-feira. A Daimler precisará reagir acelerando o projeto e articulando melhor as vantagens de criar entidades legais separadas, disse ele.

A reestruturação seria a maior da empresa com sede em Stuttgart desde que desfez a fusão com a fabricante de automóveis norte-americana Chrysler, em 2007. O cronograma provisório da Daimler contrasta com a reformulação realizada pela Fiat Chrysler Automobiles, que distribuiu ações na fabricante de caminhões e tratores CNH Industrial em 2011 e na marca de supercarros Ferrari em 2016. Combinadas, as três empresas têm valor de mercado de US$ 64 bilhões, contra cerca de US$ 6 bilhões em 2004, quando Sergio Marchionne assumiu o comando da rival italiana da Daimler.

Estimativa de avaliação

"A Daimler deveria separar as operações de caminhões", o que "poderia ampliar sua avaliação para 90 euros por ação ou mais", disse Bert Flossbach, gerente de fundo da Flossbach von Storch, 10ª maior acionista da fabricante de veículos.

Diferentemente da Fiat Chrysler, que tem sede em Londres e mantém suas principais operações na Itália e nos EUA, a Daimler precisa satisfazer as exigências dos líderes sindicais, que segundo as regras alemãs detêm metade dos assentos do conselho de supervisão da empresa. Como as negociações com os funcionários a respeito da reorganização continuam, a Daimler está adiando a divulgação de novas informações.