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Rivais atacam Telefónica com serviços mais baratos na Espanha

Rodrigo Orihuela

26/10/2017 12h04

(Bloomberg) -- Problemas à vista para a Telefónica.

A maior empresa de telefonia da Espanha quebrou uma série de cinco trimestres de aumentos de receita no terceiro trimestre do ano devido à concorrência crescente da Másmóvil Ibercom e da Orange em seu mercado doméstico.

A Másmóvil, que reuniu ativos para se tornar a quarta operadora nacional do país, encabeça a disputa. A empresa vem comercializando agressivamente serviços baratos e básicos como alternativas aos pacotes mais caros vendidos pelas companhias Telefónica, Orange e Vodafone, que incluem futebol e outros itens.

O principal foco da Telefónica são os usuários de alto padrão e, embora a empresa tenha reagido à Másmóvil oferecendo opções mais baratas, a Orange também o fez e com mais sucesso. A Orange registrou salto de 6,4 por cento nas receitas no trimestre na Espanha, impulsionada pelo crescimento das divisões de telefonia móvel e de banda larga fixa.

A receita global da Telefónica no país caiu 0,3 por cento. As receitas do pacote de alto padrão Fusion, que engloba serviços de TV, internet e telefonia, subiram, mas a receita obtida com clientes que não assinam o Fusion caiu 11 por cento. A venda de aparelhos teve um declínio ainda maior, de 19 por cento.

Nos últimos trimestres, a oferta de "mais por mais" da Telefónica, de grandes pacotes de dados aliados a aumentos regulares de preços, mostraram resultado porque os espanhóis emergiram de um período econômico desafiador com mais dinheiro para gastar. Neste ano a empresa começou a produzir conteúdo próprio para seu serviço de TV paga, como dramas e comédias, e concordou em dar à Vodafone acesso por atacado à sua rede de banda larga de fibra ótica.

A Espanha "continua competitiva, mas racional", disse o diretor de operações da empresa, Ángel Vilá, em teleconferência. Há promoções táticas do meio para o topo do mercado, mas nada estrutural, disse ele. "Há uma concorrência maior na parte inferior, mas nós nos sentimos preparados para competir nesse espaço."

Outro desafio para Vilá e para o presidente do conselho e CEO José María Álvarez-Pallete são as taxas de câmbio, que têm afetado os resultados. O real, no Brasil, e a libra, no Reino Unido, se desvalorizaram frente ao euro em relação ao ano anterior. Os dois países são os maiores mercados estrangeiros da Telefónica e representaram cerca de 36 por cento do lucro operacional da empresa no ano passado. O lucro do terceiro trimestre caiu, mas os problemas cambiais não retardaram o esforço de Pallete para gerar mais caixa. A empresa continuou quitando dívidas nas moedas locais.

Destaques dos resultados:

Receita caiu 2,5 por cento, para 12,75 bilhões de euros (US$ 15,1 bilhões);

Oibda caiu 2,7 por cento, para 4,1 bilhões de euros;

Receita média do serviço Fusion por usuário chegou a 84,7 euros;

Dívida caiu 1,26 bilhão de euros no terceiro trimestre, para 47,2 bilhões de euros;

Telefónica caía 1,7 por cento, para 8,70 euros, às 12h10 em Madri; ações recuaram 1,3 por cento no ano.

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