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Maioria dos bancos europeus abandonará pesquisa, diz analista

Hugh Son

(Bloomberg) -- Mais da metade dos bancos de investimento na Europa fecharão seus departamentos de pesquisa após regulações que estimulam os clientes a se tornarem mais seletivos em relação ao conteúdo que usam, segundo Ed Wolfe, fundador e sócio-gerente da Wolfe Research.

Como a maioria das gestoras de ativos pagará pesquisas dos próprios bolsos, o montante dedicado a pagamentos pelo trabalho dos analistas despencará após a revisão da Diretiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros pela União Europeia, disse Wolfe. Dentro de dois anos, 30 por cento dos analistas serão demitidos, prevê, e futuramente os bancos de investimento mais fracos cederão e fecharão suas equipes de pesquisa.

"Existem 11 grandes bancos na Europa que respondem por 70 por cento dos dólares investidos em pesquisa, mais ou menos", disse Wolfe, 51, em entrevista. "Destes 11, quatro ou cinco estarão fazendo pesquisa" em torno de 2021 devido aos "orçamentos fortemente reduzidos", disse ele.

A regulação, conhecida como MiFID II, forçou gestoras de recursos e corretoras a reavaliarem o que gastam ou cobram por pesquisas. A lei, que entrou em vigor em janeiro, exige que os clientes paguem pela análise separadamente em vez de recebê-la dos bancos em um pacote de serviços que inclui execução comercial. O objetivo é oferecer aos investidores mais transparência a respeito do quanto pagam por serviços específicos.

Wolfe é parte interessada. Renomado ex-analista de transporte da Bear Stearns que se tornou independente em 2008, seu modelo de negócio inclui escolher os melhores analistas dos bancos de Wall Street. Apenas analistas bem vistos que ainda consigam trabalhar duro sobreviverão nesse novo mundo, disse ele. Sua firma, com sede em Nova York, emprega 17 analistas de publicação e suas equipes de associados.

Os clientes já se tornaram mais parcimoniosos, disse Wolfe. Depois que um hedge fund repentinamente reduziu seus pagamentos, Wolfe fez uma visita para descobrir o motivo e foi informado que a empresa descobriu que estava pagando em excesso havia anos. Os gestores de recursos não administraram com cuidado o processo de votação que ajuda a determinar os pagamentos dos analistas e, como resultado, alguns funcionários receberam classificações -- e remunerações -- mais altas do que era devido, disse ele. Antes da MiFID, os clientes não se incomodavam em verificar.

A opinião geral é que os maiores bancos de investimento e algumas empresas butique sairão vencedores da reforma europeia, mas segundo Wolfe todos terão problemas em um futuro próximo.

"Em um ambiente de mercado ruim, a MiFID dá muita cobertura para se esconder, adiar votações, atrasar pagamentos", disse Wolfe. "Os próximos dois anos serão difíceis para todos."

--Com a colaboração de Trista Kelley e Silla Brush

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