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Análise: Aceitamos Mastercard, Visa, bitcoin e depósitos em ouro

Lionel Laurent

(Bloomberg) -- Os consumidores têm uma oferta abundante no momento de escolher a moeda alternativa ligada a commodities certa para pagar suas compras.

Primeiro chegou o cartão Bitcoin Visa, o presente perfeito para quem quer uma maneira fácil de gastar uma criptomoeda que se valorizou 800 por cento neste ano em produtos cujos preços subiram um total relativamente baixo de 3 por cento. Passe o cartão e seu bitcoin, com bolha e tudo, é instantaneamente convertido na tediosa libra esterlina.

Agora temos o Mastercard de ouro, criado pela Glint, uma startup que quer "reintroduzir" o ouro como dinheiro. Você usa o aplicativo para comprar ouro e o cartão para gastá-lo em libras esterlinas. O marketing da Glint é típico das empresas de tecnologia financeira, mas o discurso de venda é feito admiravelmente à moda antiga, expondo em detalhes como o ouro está guardado em um cofre seguro na Suíça. Isto é música para os ouvidos dos fãs do ouro, para quem a inflação de 3 por cento é uma paródia de um sistema monetário corrompido e que preferem algo brilhante e metálico a linhas de código.

Os pessimistas insistem que nem o bitcoin nem o ouro são métodos de pagamento práticos. Se fossem, as pessoas estariam usando-os em vez de acumulá-los. Apesar do grande debate a respeito da reintrodução de um dinheiro sólido na economia, isto não representa um retorno aos preços fixos da prata e da cevada praticados na Antiga Mesopotâmia. Essas commodities estão sendo desajeitadamente ligadas a cartões de pagamento que, em essência, concentram todo o risco no titular -- taxas de transação, volatilidade cambial, possibilidade de perder os investimentos -- e força o comerciante a lidar com libras esterlinas felizmente inconsciente.

Por que o consumidor compraria a ideia? Para os adeptos do bitcoin, existe a adrenalina especulativa de entrar em uma loja e, dependendo da hora do dia, sair com a loja inteira ou com as mãos vazias. E, para os fãs do ouro, existe a promessa, embora especulativa, de ter uma proteção confiável contra a inflação que possa ser instantaneamente monetizada sem produtos estruturados complexos. Talvez a recompensa de ter mais poder de compra na Selfridges do que o cara que está atrás de você valha o risco.

Os fãs do dinheiro sólido merecem crédito por pelo menos tentarem enriquecer uma geração atingida duramente pela crise financeira. As oportunidades de poupança segura diminuíram, as moradias são menos acessíveis e os salários reais estão em queda. Os jovens estão pior que seus pais quando tinham a mesma idade. Visto como ferramenta de liberdade financeira, um cartão de bitcoin ou de lingotes de ouro pode parecer mais atraente para um membro insatisfeito da geração Y do que o desconto nas passagens de trens para jovens recentemente anunciado pelo governo britânico.

Mas não esqueçamos o que os cartões podem fazer em termos de monitoramento de cada um dos nossos movimentos de gastos. As startups de tecnologia financeira da moda sabem muito bem que as informações são a verdadeira moeda da nova economia, um atrativo rentável para atrair comerciantes, agências de crédito e hedge funds. Nosso vício em relação à praticidade de passar o cartão, de gastar e de comprar está sendo analisado por todos, do Google à Apple. O banco espanhol BBVA recentemente mostrou um mapa de várias cidades criado inteiramente por meio de dados de compras, mostrando não apenas o que as pessoas estavam fazendo, mas também o que seus gastos diziam sobre elas, seus padrões de vida e suas preferências pessoais. Mandam os dados, e não o dinheiro, tão complicado e impossível de rastrear.

Os cartões de moedas alternativas não são empréstimos subprime. Mas ainda poderiam incentivar os consumidores a negociar e apostar algo que não possam pagar. E mesmo que não o façam, outros lucrarão com os dados que estão por trás deles. Será um ataque ao capitalismo ou outra manifestação do motivo de lucro? Aposto meu (sólido) dinheiro na segunda opção.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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