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Acidente da Uber chama a atenção sobre motoristas de segurança

Dana Hull, Mark Bergen e Gabrielle Coppola

23/03/2018 10h28

(Bloomberg) -- O acidente fatal desta semana envolvendo um SUV autônomo da Uber no Arizona, EUA, chamou a atenção para uma nova categoria de trabalho que praticamente não existia há alguns anos: a de motorista de segurança de veículo autônomo.

Somente no Arizona, mais de 600 veículos autônomos estão sendo testados em vias públicas. As empresas automotivas e de tecnologia precisam acumular quilometragem no mundo real para melhorar seus sistemas de direção autônoma. A maioria desses veículos precisa de uma ou mais pessoas a bordo para garantir que tudo funcione bem.

Os motoristas de segurança normalmente operam veículos robóticos em turnos de oito horas e proporcionam um feedback fundamental aos engenheiros. Mas as qualificações, os treinamentos e as práticas desses profissionais variam muito. A maioria das empresas, incluindo a Zoox e a Argo AI, mantém duas pessoas no carro o tempo todo: uma pronta para assumir o volante e outra para monitorar códigos. A Uber havia colocado apenas um funcionário no veículo que atingiu e matou uma pedestre no domingo.

"Para testes mais rigorosos é comum ver dois ou até três operadores em um veículo", disse Richard Wallace, diretor do grupo de análise de sistemas de transporte da organização Center for Automotive Research, de Ann Arbor, Michigan, EUA. "Claramente é mais barato manter apenas uma pessoa. Trata-se de um trabalho muito chato na maior parte do tempo. Esse acidente pode fazer as empresas avaliarem o treinamento dos motoristas de segurança."

Os regulamentos estaduais também variam nos EUA. No Arizona, os motoristas de segurança de veículos autônomos só precisam ter uma carteira de motorista válida, como qualquer outro motorista. Na Califórnia, os motoristas são obrigados a concluir um programa de treinamento de motorista de teste pela empresa em que trabalham e não podem ter nenhum histórico de responsabilidade em colisão que tenha resultado em ferimento ou morte, nem nenhuma advertência por dirigir sob influência de álcool ou drogas na década anterior.

O trabalho em si pode ser entediante. "É realmente muito chato dirigir um veículo que você não está dirigindo", disse Eran Sandhausex, ex-vice-presidente da Aptiv, que supervisionava o esforço de direção autônoma da empresa e atualmente é consultor de startups de mobilidade no Vale do Silício.

Rafael Vasquez, o motorista de segurança do veículo da Uber Technologies envolvido na colisão de domingo, chamou a atenção da opinião pública depois que a polícia divulgou um vídeo do acidente. Vasquez parece olhar para baixo, em direção a algo não mostrado pela câmera, nos instantes que antecederam o impacto.

A Uber tirou todos os veículos de testes de circulação e manterá a medida durante a investigação do acidente pelas autoridades de transporte dos EUA. A Toyota suspendeu temporariamente os testes de seu sistema "Chauffeur" em Michigan e na Califórnia, afirmando que o acidente da Uber "pode gerar um efeito emocional em nossos motoristas de testes".

A Waymo, da Alphabet, não comentou sobre seus planos desde a colisão do Uber, no domingo à noite, mas as minivans Pacifica da gigante da tecnologia continuam circulando pelo Arizona, segundo Kevin Hartke, vereador de Chandler, no Arizona. A Waymo foi a primeira a começar a operar carros autônomos sem motoristas de segurança no Arizona, no ano passado, mas o carro visto por Hartke nesta semana tinha uma pessoa atrás do volante.

O objetivo futuro é eliminar o emprego de motorista de segurança quando os carros tiverem uma capacidade confiável de direção autônoma em qualquer situação. O acidente com a Uber sugere que esse dia ainda está longe.

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