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Confira algumas opiniões sobre o futuro de combustíveis fósseis

Joe Ryan

(Bloomberg) -- Apesar do burburinho sobre a energia eólica, a energia solar e os carros elétricos, os executivos de empresas de energia tinham muito a dizer na terça-feira sobre o papel atual dos combustíveis fósseis e da energia nuclear na cúpula da Bloomberg New Energy Finance sobre o futuro da energia.

O magnata da mineração Bob Murray defendeu apaixonadamente o carvão e afirmou que todos nós "morreríamos no escuro" sem ele. Ethan Zindler, um analista da Bloomberg New Energy Finance, contribuiu com o contra-argumento ao dizer que os fundamentos econômicos das usinas de carvão dos EUA simplesmente deixaram de funcionar.

Confira o que executivos de empresas como BP e Tellurian disseram sobre o futuro dos combustíveis fósseis em um mundo que combate a mudança do clima.

BP: o petróleo depois de Paris

O diretor financeiro da BP, Brian Gilvary, considera que petróleo e gás terão papéis fundamentais, embora a maioria dos países esteja empenhada em reduzir a emissão dos gases causadores do efeito estufa, que provocam o aquecimento global. "Muita gente acha que o que foi definido em Paris se resumiu a uma corrida para desenvolver energias renováveis", disse Gilvary. "Na verdade, foi uma corrida para reduzir emissões." Portanto, muitos tipos diferentes de energia entrarão na matriz energética, disse Gilvary. A demanda por petróleo se manterá forte até cerca de 2040 e se estabilizará, em vez de atingir um pico, disse Gilvary. "Continuaremos buscando projetos mundiais. Mas faremos isso garantindo que começaremos a reduzir as emissões em nossa própria empresa."

Murray: o carvão não vai desaparecer

O CEO da Murray Energy, Bob Murray, estima que a produção de carvão térmico dos EUA continuará caindo nos próximos anos, mas acredita que ela se estabilizará em cerca de 650 milhões de toneladas por ano (em comparação com mais de 1 bilhão de toneladas uma década atrás). Mas isso depende de que as concessionárias de energia elétrica dos EUA apoiem o carvão, disse Murray. "É preciso ter uma rede elétrica confiável e resistente, e existem apenas dois tipos de geração para níveis mínimos de demanda: nuclear e carvão", disse ele. Mesmo sem o apoio das concessionárias, Murray tem outro plano. Ele quer comprar e operar usinas de energia a carvão. "Se você é capaz de extrair carvão do solo, com certeza será capaz de dirigir uma usina de energia", disse ele, em entrevista. "Podemos administrar usinas melhor do que as concessionárias."

Tellurian: gás natural na China

O boom do gás nos últimos dez anos transformou o setor de energia, e a CEO da Tellurian, Meg Gentle, projeta que a demanda aumentará ainda mais. Para entender por que, basta analisar a China. Gentle estima que o país acrescentará 12 gigawatts em usinas a gás neste ano. Em Pequim, mais de 5 milhões de famílias trocaram a queima de carvão pelo gás no ano passado. E a cada mês, as fabricantes chinesas de veículos produzem cerca de 8.000 automóveis movidos a gás natural em vez de gasolina. "Em todos os setores da China, a demanda por gás está muito sólida, porque o país está se comprometendo a ter céus azuis e ar limpo", disse Gentle.

Departamento de Energia dos EUA: ressurgimento da energia nuclear

A energia nuclear talvez esteja na corda bamba, porque os reatores têm dificuldades para concorrer com as usinas de gás. Mas a tecnologia voltará a crescer com reatores menores, mais baratos e mais ágeis, disse Edward McGinnis, vice-secretário assistente do Escritório de Energia Nuclear do Departamento de Energia dos EUA. A frota nuclear dos EUA "teve uma experiência notável, mas, como toda experiência, ela terminará", disse McGinnis em uma apresentação. Os EUA estão na vanguarda do projeto e da fabricação de um novo tipo de reator modular pequeno. Daqui a uns 8 ou 10 anos "o setor nuclear viverá um período muito revolucionário e empolgante", disse ele.

--Com a colaboração de Naureen S. Malik Tim Loh Jim Efstathiou Jr. e Jim Polson

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