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Fabricante de motor planejava inspeção antes de acidente nos EUA

Alan Levin e Mary Schlangenstein

25/04/2018 14h10

(Bloomberg) -- A fabricante do motor que explodiu em um avião da Southwest Airlines na semana passada se preparava, antes do acidente fatal, para recomendar inspeções que teriam incluído o motor afetado.

Em resposta a uma avaria semelhante ocorrida em 2016, a CFM International, fabricante do motor, tinha recomendado no ano passado que as empresas aéreas inspecionassem um lote limitado de pás que não incluía aquela que parou de funcionar na semana passada.

Mas o esboço de uma recomendação enviado a algumas companhias aéreas para pedir suas opiniões teria expandido a lista e incluído o motor do voo 1380 cuja pá se soltou quando o avião sobrevoava a Pensilvânia. A pá quebrou uma janela e arrastou parcialmente uma mulher para fora do avião.

Essas recomendações eram a base das inspeções de emergência ordenadas na sexta-feira passada pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês). As recomendações da empresa "estavam sendo elaboradas semanas antes do incidente", disse Rick Kennedy, porta-voz da CFM.

Não se sabe com certeza se as inspeções expandidas teriam sido realizadas a tempo para evitar o acidente da semana passada.

A expansão das inspeções de motores era parte da tentativa de compilar dados sobre uma avaria extremamente rara, como a ocorrida há dois anos, e não se devia a qualquer indício de risco iminente de outra avaria nas pás, disse Kennedy.

"Encabeçamos a tentativa de entender esse fenômeno", disse Kennedy. "O maior desafio em nosso setor é lidar com algo muito incomum. Não há um padrão de referência".

Depois que um motor da CFM falhou em 2016, a empresa emitiu boletins de manutenção solicitando inspeções de lotes específicos de pás de ventiladores com mais de 15.000 voos desde a última revisão de manutenção. O motor da Southwest que falhou na semana passada tinha cerca de 10.000 voos desde a última revisão, de acordo com a companhia aérea. Ele também não estava entre os números de série da pá de ventilador citados naquele boletim, de acordo com Kennedy.

As inspeções expandidas, que agora abrangem todas as pás mais antigas, aumentam ainda mais o mistério de por que duas avarias graves e parecidas em um dos motores de avião mais comuns e confiáveis do mundo ocorreram em um período de dois anos. Os motores não podem receber certificação enquanto não demonstrarem em testes que podem perder uma pá sem causar estragos ao avião, mas foi isso o que aconteceu em ambos os incidentes com aviões da Southwest.

A Southwest já inspecionou 265 motores que fizeram mais de 30.000 voos cada desde a fabricação, conforme especificado pela ordem de emergência emitida pela FAA na sexta-feira passada.

A companhia aérea tinha examinado algumas das pás antes da emissão da ordem, disse Brandy King, porta-voz da empresa aérea com sede em Dallas. Ela preferiu não comentar sobre as conclusões dos exames. A Southwest continuará realizando inspeções voluntárias de toda sua frota.

--Com a colaboração de Julie Johnsson