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Mulheres montam campanha de gênero para eleições na UE

Ewa Krukowska e Jonathan Stearns

(Bloomberg) -- Na União Europeia há mais mulheres do que homens. Mas isso não se nota ao analisar os cargos mais altos das empresas, da política ou da sociedade civil do bloco.

Isso é o que um grupo ativista de Bruxelas quer mudar. Faltando menos de um ano para as eleições legislativas da UE, a Women Enablers Change Agent Network (WeCan) planeja iniciar na terça-feira uma campanha para que haja mais mulheres nos principais cargos da UE e nos conselhos de administração das empresas.

As mulheres representam mais de 51 por cento da população da UE e, apesar dos avanços, a Europa ainda tem muito mais a fazer em relação à igualdade de gênero, diz o grupo. O objetivo da campanha: buscar um avanço irreversível.

"Trata-se de mudar a mentalidade para que seja natural -- sempre que for necessário tomar uma decisão sobre um cargo -- pensar em um candidato e em uma candidata", disse Connie Hedegaard, dinamarquesa que foi comissária da UE para o clima, em entrevista por telefone. "Não se trata de cotas. Trata-se simplesmente de dar mais visibilidade às mulheres qualificadas, de incluí-las na discussão."

O Parlamento Europeu realizará eleições em maio de 2019 e o empoderamento das mulheres será um grande tema de campanha, além de outras questões sensíveis, como imigração, desemprego, segurança e o futuro do bloco após o Brexit.

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, o socialista que assumiu o cargo neste mês após arquitetar a destituição do democrata-cristão Mariano Rajoy por meio de uma moção de censura, sinalizou a ressonância política da igualdade de gênero ao nomear um gabinete que inclui mais mulheres (11) do que homens (sete).

Três cargos

O que está em jogo na campanha europeia são os máximos cargos das três principais instituições da UE, todas dirigidas por homens e que devem passar a ter novos líderes no ano que vem. As organizações são o Parlamento da UE, a Comissão Europeia -- o braço executivo do bloco -- e a presidência das reuniões dos chefes dos governos nacionais.

Como a UE negociará simultaneamente seu primeiro orçamento plurianual pós-Brexit, a iniciativa WeCan pode influir no modo de a Europa definir suas prioridades de gastos e dar um impulso no papel das mulheres na economia, de acordo com Constance Kann, diretora de relações internacionais do Banco Europeu de Investimento, com sede em Luxemburgo.

Os conselhos das maiores empresas de capital aberto da UE estão dominados por homens e as mulheres representam apenas um quarto dos membros, de acordo com o Instituto Europeu para a Igualdade de Gênero (EIGE, na sigla em inglês), com sede em Vilnius, na Lituânia. Sob esse aspecto, a França tem o melhor desempenho, e a Estônia, Malta e Chipre ficam nos últimos lugares.

Nas instituições europeias o desempenho não é muito melhor. Embora a participação de mulheres no alto escalão da burocracia da UE tenha quase dobrado desde 2004, ainda é de apenas cerca de 30 por cento, de acordo com o EIGE. Na Comissão Europeia, cujo mandato termina no fim de outubro de 2019, apenas nove dos 28 comissionados são mulheres, e isso só aconteceu depois que o presidente Jean-Claude Juncker implorou que as capitais nacionais indicassem candidatas.

Repórteres da matéria original: Ewa Krukowska em Bruxelas, ekrukowska@bloomberg.net;Jonathan Stearns em Strasbourg, France, jstearns2@bloomberg.net

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