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Seca reduzirá safra de cana-de-açúcar no Brasil, prevê Cofco

Isis Almeida

21/06/2018 14h23

(Bloomberg) -- O clima extraordinariamente seco que atingiu a principal região produtora de cana-de-açúcar do Brasil está prejudicando a safra deste ano e limitando o plantio para o ano que vem, segundo a Cofco International, uma unidade da maior empresa de alimentos da China.

A região Centro-Sul do Brasil, que é o maior produtor de açúcar do mundo, recebeu apenas uma pequena fração da quantidade normal de chuva nos últimos dois meses, segundo informações da Somar Meteorologia. Se o clima continuar seco em julho e agosto, a produção deste ano será muito menor do que a esperada anteriormente, disse Marcelo de Andrade, chefe global de commodities agrícolas da Cofco em Dubai.

"Se não tivermos chuvas, veremos uma grande queda na safra neste ano, de cerca de 10 por cento no Estado de São Paulo", disse em entrevista por telefone, na quarta-feira. "E o pior é que não conseguimos fazer toda a semeadura de maio, que é superimportante, por isso não teremos cana suficiente no ano que vem."

Se a seca continuar, os usineiros do Centro-Sul do Brasil provavelmente esmagarão 550 milhões de toneladas de cana-de-açúcar neste ano e produzirão apenas 27 milhões de toneladas de açúcar, porque as usinas estão priorizando o etanol, que está mais rentável, disse. Esta seria a menor quantidade de açúcar em uma década, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

"O mix se voltou muito mais para o etanol do que esperávamos", disse Andrade. "Estão todos extraindo até a última gota." A próxima atualização da Unica provavelmente mostrará que a quantidade de cana destinada ao etanol aumentou 34 por cento na primeira quinzena de junho, contra cerca de 32 por cento nos 15 dias anteriores, disse.

O alerta da Cofco surge depois de a Alvean, a maior trading de açúcar do mundo, afirmar no mês passado que o processamento deverá cair para 555 milhões de toneladas de cana e poderá chegar a apenas 535 milhões de toneladas se as condições piorarem. A joint venture da produtora brasileira Copersucar com a Cargill estimou uma produção de açúcar de 29 milhões de toneladas, com possibilidade de queda para apenas 27 milhões de toneladas.

Uma possível safra menor do Brasil poderia restringir o mercado de açúcar bruto, disse Andrade. Apesar de muitos analistas estimarem que a produção global ultrapassará de longe o consumo, o superávit é formado pela variedade branca e grande parte desse açúcar está preso na Índia, que está formando um estoque de reserva e mantém preços domésticos mais altos.

"O açúcar indiano está preso na Índia", disse. "Desconsiderando a Índia, o mundo está mais perto do equilíbrio."

As refinarias do mundo precisam de açúcar bruto e querem a oferta do Brasil, disse. A Cofco prevê um pequeno excedente de açúcar bruto disponível para exportações no terceiro trimestre, um mercado equilibrado no trimestre seguinte e uma mudança para déficit nos três primeiros meses de 2019, disse Andrade. O açúcar caiu 20 por cento neste ano, para 12,16 centavos de dólar por libra-peso, o pior desempenho do Bloomberg Commodity Index.

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