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China e Europa alertam que guerra comercial pode gerar recessão

Bloomberg News

25/06/2018 12h51

(Bloomberg) -- A China e a União Europeia prometeram se opor ao protecionismo comercial em uma aparente repreensão aos EUA, afirmando que ações unilaterais podem levar o mundo a uma recessão.

O vice-primeiro-ministro Liu He -- principal conselheiro econômico do presidente Xi Jinping -- anunciou que a China e a UE fecharam acordo para defender o sistema de comércio multilateral após negociações, nesta segunda-feira, em Pequim. Os comentários foram feitos em entrevista coletiva com o vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, em um momento em que os dois lados se preparam para enfrentar as ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump.

"O unilateralismo está em ascensão e surgiram tensões comerciais em grandes economias", disse Liu. "A China e a UE se opõem firmemente ao unilateralismo e ao protecionismo comercial e creem que essas ações podem trazer recessão e turbulência à economia global."

China e UE são pressionados por Trump em um momento em que o presidente dos EUA busca reconstruir o sistema global de comércio, que na visão dele está voltado contra a maior economia do mundo.

Após meses de retórica e ameaças, a briga comercial parece estar chegando a um ponto crítico, considerando que a Europa impôs tarifas a US$ 3,3 bilhões em produtos americanos na sexta-feira em resposta às barreiras americanas à importação de alumínio e aço. Trump reagiu ameaçando aplicar novas tarifas aos carros europeus.

Limites ao investimento

No fim desta semana, o Departamento do Tesouro dos EUA deverá divulgar novas regras a respeito do investimento chinês em empresas de tecnologia, informou a Bloomberg na segunda-feira, colocando pressão adicional sobre a China -- que reagiu aos planos. O investimento chinês gerou empregos e renda fiscal para os EUA e o país deveria analisar as atividades comerciais "de forma objetiva", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, a jornalistas, em Pequim, nesta segunda-feira.

Os EUA deverão impor tarifas a US$ 34 bilhões em importações chinesas a partir de 6 de julho e Trump ameaçou aplicar taxas a outros US$ 200 bilhões em produtos chineses. Se essa ameaça se concretizar, poderá reduzir o crescimento econômico da China em até meio ponto percentual e gerar impacto também na economia americana, disseram economistas.

A ansiedade em relação às consequências econômicas está gerando profundos impactos nos mercados financeiros. O yuan atingiu o menor valor em seis meses nesta segunda-feira e as ações da China recuaram juntamente com os futuros de índice dos EUA.

Com a intensificação do conflito comercial, a China tem procurado se alinhar à Europa como forma de pressionar os EUA. Os dois lados fecharam acordo para promover a globalização após negociações, nesta segunda-feira, e chegaram a um consenso a respeito das mudanças climáticas, disse Liu.

Mas apesar do alinhamento contrário à ameaça comercial dos EUA, a UE e a China continuam divergindo no tocante a questões como a falta de acesso recíproco para empresas europeias e a relutância da UE a endossar o programa de comércio e infraestrutura chinês Um Cinturão, Uma Rota. Enquanto a China está intensificando seu envolvimento na Europa, a UE também trabalha em medidas para reforçar a triagem dos investimentos externos para proteger tecnologias e infraestrutura importantes.

--Com a colaboração de Miao Han.

To contact Bloomberg News staff for this story: Peter Martin em Pequim, pmartin138@bloomberg.net;Dandan Li em Pequim, dli395@bloomberg.net

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