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Ex-foragido autoexilado deixa bilionários mexicanos nervosos

Andrea Navarro

29/06/2018 15h41

(Bloomberg) -- Um velho inimigo da empresa Grupo México está prestes a retornar.

O líder do sindicato dos mineiros Napoleón Gómez Urrutia, que fugiu para o Canadá há mais de uma década após ter sido acusado de roubo, está na lista final de candidatos a uma vaga no Senado mexicano pelo partido Morena, do candidato presidencial favorito nas pesquisas, Andrés Manuel López Obrador.

Em um ciclo eleitoral repleto de personagens excêntricos e debates duros, a indicação do polêmico representante sindical e ex-foragido gerou perplexidade e rebuliço -- especialmente em uma gigante da mineração com histórico de animosidade com Gómez Urrutia. Germán Larrea, o bilionário que controla o Grupo México, se declarou contrário à candidatura e também mostrou preocupação em relação à possibilidade de López Obrador ser presidente em carta a funcionários e acionistas.

Ele tem motivos para se preocupar, dizem analistas e investidores. López Obrador prometeu aumentar os salários dos trabalhadores, mudar a forma de distribuição dos impostos cobrados da mineração e avaliar como o uso de explosivos afeta o meio ambiente e Gómez Urrutia seria um apoio importante dessa agenda no Senado.

"Eles têm problemas com ele há anos", disse Alberto Vázquez, sócio do escritório de advocacia Vázquez, Sierra & García, especializado em direito da mineração. Agora, "ele está voltando com imunidade e um objetivo bem claro: o Grupo México".

Escolha controversa

Segundo a lei mexicana, 32 dos 128 senadores são nomeados pelos partidos políticos de forma proporcional ao número total de votos recebidos pelo partido. A posição de Gómez Urrutia na lista torna sua nomeação quase certa.

Apesar de a escolha ser controversa, López Obrador apoia a nomeação de Gómez Urrutia, que negou todas as acusações. (Em determinado momento, o México pediu sua extradição ao Canadá para julgá-lo pelo suposto desvio de US$ 55 milhões de um fundo sindical, mas posteriormente as acusações foram retiradas e não está claro se ainda existe algum processo judicial aberto contra ele).

A candidatura de Gómez Urrutia "é um ato de justiça", afirmou López Obrador, em comício, em fevereiro. "É uma injustiça que as cidades nas quais as empresas extraem ouro sejam as mais pobres e abandonadas", disse em outro evento, em abril.

Quinto mais rico

Larrea, cuja fortuna de US$ 4,1 bilhões o transforma na quinta pessoa mais rica do México, não é fã de Urrutia, nem de López Obrador. Em abril, o Grupo México anunciou que ficou surpreso com a nomeação do líder sindical, afirmando que, na verdade, ele representa apenas menos de 10 por cento dos trabalhadores do setor de mineração e que é mais conhecido pelas tentativas de desestabilizar a indústria. Quanto a López Obrador, disse que a empresa estava sendo cautelosa com os investimentos e reduzindo as dívidas denominadas em dólares para o caso de o candidato ganhar.

Outra figura do setor que poderia se preocupar é Alberto Baillères, que controla a Industrias Peñoles e a Fresnillo. O colega bilionário de Larrea também é dono das lojas de departamento de alto padrão El Palacio de Hierro, onde os funcionários foram obrigados recentemente a ouvir palestras nas quais foi pedido que votassem no candidato que tivesse mais chances de derrotar López Obrador.

"A Peñoles e a Fresnillo operam em muitos estados do país e têm relacionamentos com vários governos locais e estaduais; nunca tivemos problemas para trabalhar ombro a ombro com eles", afirmou a empresa, em resposta a perguntas, preferindo não comentar sobre a candidatura de Gómez Urrutia.

O Grupo México não respondeu aos pedidos de comentários. As tentativas de encontrar Gómez Urrutia por meio de seus advogados também foram malsucedidas.

--Com a colaboração de Nacha Cattan.