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Cai índice de natalidade nos EUA, mas mães gastam mais

Janine Wolf

16/08/2018 12h13

(Bloomberg) -- O índice de natalidade atingiu o menor nível em 30 anos nos EUA, mas isso não impede que as grandes empresas de varejo e o setor de comércio on-line estejam buscando uma fatia maior do bolo no ramo de roupas de maternidade.

Mesmo com o terceiro ano seguido de queda do número de nascimentos nos EUA em 2017, para o menor patamar em três décadas, muitas das maiores empresas de varejo do país, incluindo a Target e a Amazon, se empenham fortemente em atrair mulheres grávidas. Isso acontece, em parte, porque a renda das pessoas que compram roupas de maternidade está subindo como resultado do fato de as mulheres estarem preferindo ter filhos só depois de consolidar uma carreira.

"No geral, a renda per capita disponível está subindo", disse Claire O'Connor, analista da IBISWorld, uma firma de pesquisa setorial de mercado. "Portanto, os consumidores talvez não estejam tendo mais filhos, mas com a renda extra provavelmente estão gastando mais nos filhos que têm."

Trata-se de uma boa notícia para grandes empresas como a Target, que na semana passada expandiu a linha de moda maternidade Isabel Maternity para incluir roupas esportivas. As grandes empresas de varejo também estão ampliando a oferta de produtos para bebês, inclusive o Walmart, que lançou uma página web dedicada a quartos de bebê em julho, e a J.C. Penney, que anunciou na semana passada o plano de expandir a seleção de produtos para bebês para 500 lojas mesmo com a taxa de natalidade menor.

Mas com a concorrência crescente de rivais capitalizados, as lojas que se dedicam exclusivamente a roupas de maternidade, que dominavam esse nicho de mercado, estão tendo cada vez mais dificuldade para competir.

Concorrência feroz

Com a chegada de mais redes nacionais ao ramo, as lojas tradicionais de roupas de maternidade estão sentindo o baque. Entre os comerciantes de nicho, as vendas do setor de roupas de maternidade dos EUA, que soma US$ 1,7 bilhão, estão basicamente estagnadas há cinco anos e as receitas deverão cair 0,6 por cento por ano até 2022 porque o comércio on-line, as grandes empresas e as lojas de departamento estão atraindo mais dólares, segundo a firma de pesquisa IBISWorld.

A empresa de capital aberto Destination Maternity, que desenha, fabrica e comercializa roupas de maternidade, é um exemplo. Como as empresas maiores estão mirando cada vez mais seu público-alvo, a empresa de varejo com sede na Filadélfia está sentindo o efeito. Apesar da alta de cerca de 43 por cento neste ano, os preços das ações caíram mais de 40 por cento em cada um dos últimos quatro anos. A receita da empresa vem diminuindo a cada ano desde 2011.

A Destination Maternity preferiu não comentar.

"De repente todo o seu negócio é impactado porque sua empresa se dedica apenas a isso", disse Wendy Liebmann, CEO e fundadora da consultoria WSL Strategic Retail.

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