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China quer limitar o tempo que as crianças passam jogando

Yuji Nakamura

31/08/2018 13h18

(Bloomberg) -- O governo de Xi Jinping demonstrou uma capacidade singular de exercer controle sobre tudo, do discurso político à internet. Talvez agora tenha encontrado um rival à sua altura: as crianças chinesas.

As crianças do país, assim como as outras do mundo inteiro, dedicam horas aos jogos digitais "Honour of Kings" e "Playerunknown's Battlegrounds". O entusiasmo delas transformou a China no maior mercado de jogos do planeta e enriqueceu empresas como a Tencent Holdings.

Agora, o governo quer acabar com a festa. O Ministério da Educação encabeça um plano para reduzir o número de jogos on-line no país e limitar a quantidade de tempo que as crianças passam jogando. Os pais devem impedir que seus filhos dediquem mais de uma hora por dia aos aparelhos eletrônicos para fins não educacionais.

Mas como? Essa é a pergunta dos pais em todos os lugares onde existem crianças viciadas em jogos. O Ministério da Educação não oferece ideias específicas sobre técnicas para impedir que as crianças usem um computador ou smartphone. Os pais chineses parecem ser tão incapazes de regular o uso de jogos quanto os pais em outros países.

"Os jogadores sempre encontram um jeito de gastar mais tempo ou dinheiro que o permitido", diz Serkan Toto, fundador da consultoria de jogos Kantan Games, com sede em Tóquio.

O Ministério anunciou as diretrizes sobre jogos como parte de um plano amplo para abordar a crescente incidência de miopia entre crianças. A campanha, defendida pessoalmente por Xi, visa principalmente a reduzir a miopia em crianças e adolescentes em pelo menos 0,5 ponto percentual por ano até 2023, de acordo com um comunicado publicado no site do Ministério.

Ainda assim, a medida soa tanto como uma admissão do vício generalizado em jogos quanto como uma afirmação de objetivos políticos. O Ministério incentivou os pais a mandar os filhos brincarem fora de casa - sem aparelhos eletrônicos.

"O uso de aparelhos eletrônicos para fins não relacionados com a aprendizagem não deve exceder 15 minutos e, ao todo, não deve passar de uma hora por dia", afirmou o Ministério. "Depois de passar de 30 a 40 minutos em aparelhos eletrônicos para fins de aprendizagem, [as crianças] devem fazer uma pausa e descansar por 10 minutos. Quanto mais jovens forem, menor deve ser o tempo de uso contínuo de aparelhos eletrônicos."

Os investidores se concentraram nas restrições aos jogos e em suas implicações para empresas como Tencent e Netease.

No fim das contas, o ônus poderia recair sobre as empresas de jogos: a Tencent, por exemplo, instituiu em 2017 limites de tempo para menores de idade depois que jornais estatais destacaram seu principal título, "Honor of Kings", como incentivador do vício.

--Com a colaboração de Peter Elstrom e Reed Stevenson.