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Startup levanta US$ 250 mi para levar tecnologia à agricultura

Austin Weinstein

18/09/2018 14h41

(Bloomberg) -- A agricultura baseada em bactérias está começando a se transformar em um grande negócio. Na terça-feira, a startup Indigo Ag anunciou que havia levantado US$ 250 milhões com investidores, elevando o total de recursos para mais de US$ 650 milhões.

Entre os investidores que participaram da rodada estão a Baillie Gifford, a Investment Corporation of Dubai e o Alaska Permanent Fund. O aporte chega após uma rodada de financiamento de US$ 203 milhões no ano passado que avaliou a empresa com sede em Boston em US$ 1,4 bilhão.

"Quando classificados os maiores setores do mundo, a agricultura é o terceiro, o quarto ou o quinto em todos os anos", disse o CEO da Indigo, David Perry. "É também, na realidade, o último grande setor que ainda não foi impactado pelas novas tecnologias e pelos novos modelos de negócio."

A Indigo é uma das várias empresas que usam micróbios para melhorar a produção agrícola, o que poderia reduzir o uso de pesticidas sintéticos, fertilizantes e sementes geneticamente modificadas. Em abril, a Bloomberg noticiou que os revestimentos microbianos da Indigo aumentaram o rendimento do algodão em uma média de 14 por cento em testes comerciais de grande escala no Texas.

A empresa planeja usar uma parte dos novos recursos para expandir seu mercado digital de grãos, que conecta agricultores diretamente a compradores e permite que os compradores selecionem atributos específicos. Por exemplo, uma grande empresa de bens de consumo embalados que tinha o objetivo de reduzir o consumo de água optou por comprar milho cultivado sem irrigação, disse Perry. O mercado já lista mais de US$ 6 bilhões em estoques de grãos.

Além de usar um software para conectar produtores e clientes, o mercado abastecerá outros negócios da Indigo, fornecendo informações sobre o desempenho das plantações. "De certo modo, tudo o que fazemos se resume aos dados, e todas as coisas estão relacionadas umas com as outras", disse Perry. "Em grande parte, o motivo pelo qual coletamos dados nas fazendas é entender como nossos micróbios estão se saindo." Os revestimentos microbianos da Indigo foram desenvolvidos, em parte, com uso de aprendizado de máquina.

A chegada da empresa ao mercado digital de grãos se dá em um momento em que outros concorrentes estão correndo para o espaço das tecnologias agrícolas microbianas. Em 2017, a Bayer e a Ginkgo Bioworks anunciaram uma rodada de captação de recursos de US$ 100 milhões para sua joint venture com foco em micróbios para fertilizantes nitrogenados. E a Monsanto, por meio da colaboração com a Novozymes, já está vendendo produtos microbianos a produtores rurais americanos e planeja uma expansão para a Europa.

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