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Uma indústria poluente está se tornando mais limpa usando GNL

Anna Shiryaevskaya

28/09/2018 15h49

(Bloomberg) -- O elegante cruzeiro ancorado no porto no oeste da Noruega recebendo passageiros não expele a fumaça preta e suja típica dos navios de outros portos movimentados.

Com capacidade para 1.500 passageiros e 600 carros, o MS Bergensfjord é um dos cada vez mais numerosos navios movidos a gás natural liquefeito, que emite uma fração dos poluentes do óleo pesado e do diesel usados normalmente em navios. Esse é um exemplo de como um dos setores mais poluentes está respondendo às demandas por ar mais limpo e litorais imaculados.

Essa é também a mais nova oportunidade para o setor de gás, que está se expandindo rapidamente junto com a demanda por formas mais ecológicas de energia. Essa demanda pode gerar um aumento de cinco vezes na produção de navios movidos a GNL nos próximos oito anos. A Carnival, a maior operadora de cruzeiros do mundo, acaba de adicionar o primeiro de 11 navios movidos a GNL à sua frota, e os concorrentes pretendem comprar mais.

"Já estamos vendo navios de cruzeiro usando GNL como combustível", disse Paul Wogan, CEO da GasLog, empresa proprietária e operadora de navios-tanque de GNL, cuja frota toda pode usar o combustível que transporta. "Ninguém quer ver grandes colunas de fumaça preta nos lindos lugares para onde eles vão. A demanda por GNL como combustível para navios continuará crescendo."

Alternativa

O GNL é gás natural resfriado a -162 graus Celsius, o que reduz seu volume para facilitar o armazenamento e o transporte. A vantagem desse combustível é que é abundante e disponível. A produção de vários países, do Catar e a Rússia até os EUA, deverá aumentar 30 por cento nos seis anos até 2023, segundo a Agência Internacional da Energia, que assessora a maioria das principais economias em política energética.

O GNL emite cerca de 25 por cento menos dióxido de carbono do que os combustíveis convencionais para navios. Não contém praticamente enxofre, tem 85 por cento a menos de óxido de nitrogênio e 99 por cento menos partículas, a cuja exposição está associado o câncer. Isso é fundamental para reduzir as emissões da frota mundial, de 90.000 navios, que consome cerca de 5 por cento da demanda mundial de petróleo por dia, segundo a Bloomberg NEF.

Obstáculos

No entanto, ainda há obstáculos. Não existem muitas instalações de abastecimento de GNL para navios e a falta delas é um grande obstáculo para que os armadores se comprometam a adaptá-los para usar o combustível, de acordo com Jeff Miers, diretor administrativo da área de energia da Accenture.

O GNL não é a única opção de energia limpa. A tecnologia de bateria está indo além de apenas fornecer energia de reposição e fazer viagens curtas. Os armadores também estão investigando o poder do hidrogênio, uma tecnologia que, ao contrário do GNL, tem zero emissões de dióxido de carbono. Até as chamadas velas de rotor estão sendo testadas por navios mercantes como complemento da bateria e da energia convencional.

No porto de Risavika, Noruega, Gunnar Helmen, gerente de vendas da Skangas, uma pequena planta de GNL que abastece o cruzeiro Bergensfjord, considera que modelos com GNL e híbridos com baterias e GNL são o futuro. Os armadores, atualmente, têm dificuldade para decidir de onde obterão combustível no futuro, disse ele, acrescentando que os navios consomem tanto combustível que o gás natural é uma das únicas substituições práticas disponíveis para o óleo combustível pesado.

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