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Conselhos 100% masculinos geram pedidos por mudança na Ásia

Bruce Einhorn, Bhuma Shrivastava e Shoko Oda

11/10/2018 15h48

(Bloomberg) -- A Ásia é retardatária há tempos na luta global para colocar mais mulheres nos conselhos corporativos.

Enquanto em outras partes do mundo os países têm adotado regras para integrar os conselhos, a maioria dos órgãos reguladores da Ásia têm evitado intervenções. E isso fica evidente em empresas asiáticas de destaque, como a chinesa Tencent Holdings e a japonesa SoftBank Group, cujos conselhos de administração são exclusivamente masculinos.

Em um momento em que questões relacionadas à governança corporativa e ao empoderamento feminino ganham mais atenção, estimuladas pelo movimento #MeToo, os investidores globais estão reparando cada vez mais na falta de diretoras mulheres em muitas empresas.

Isso está levando alguns dos maiores centros financeiros da Ásia a correrem atrás do atraso em relação aos mercados ocidentais incentivando as empresas de capital aberto a recrutar mais mulheres para a direção. Algumas das ações envolvem exigências, enquanto outras são voluntárias.

"Pedimos que todas as empresas de capital aberto nomeiem mais mulheres para seus conselhos", disse Carrie Lam, executiva-chefe do governo de Hong Kong, em seu discurso anual de políticas, na quarta-feira.

As autoridades políticas dos EUA e da Europa continuam pressionando em favor de diversidade de gêneros nos conselhos. No mês passado, o governador da Califórnia, Jerry Brown, sancionou uma lei que exige que as empresas de capital aberto localizadas no estado tenham pelo menos uma mulher no conselho até o fim de 2019. Na Alemanha, entrou em vigor em 2016 uma lei que exige que cerca de 100 das maiores empresas de capital aberto mantenham mulheres em pelo menos 30 por cento dos assentos no conselho de supervisão.

Os órgãos reguladores e formuladores de políticas da Ásia entendem que os investidores estão observando os indicadores de diversidade, segundo Lawrence Loh, diretor do Centro para Governança, Instituições e Organizações da Escola de Negócios da Universidade Nacional de Cingapura. Ele é autor principal de um estudo recente que mostra os efeitos positivos da diversidade dos conselhos em termos de governança corporativa e no desempenho dos negócios.

Pressão crescente

"É possível ver por todas as partes uma pressão por mudanças em termos de diversidade", disse Loh. "As empresas terão que acompanhar."

Nos grandes centros financeiros da Ásia, ainda há um longo caminho a percorrer. As mulheres representavam 14,7 por cento dos integrantes de conselhos das 100 maiores empresas de capital aberto em Cingapura e 13,8 por cento das 50 integrantes do Hang Seng Index, de Hong Kong, segundo relatório de julho do Comitê de Ação pela Diversidade de Cingapura.

Os percentuais contrastam com as fatias de 22 por cento do S&P 500, nos EUA, de 29 por cento do FTSE 100, no Reino Unido, e de 42 por cento do CAC 40, na França.

No fim da lista, as mulheres representaram 4,9 por cento dos integrantes dos conselhos do Nikkei 225, no Japão.

Agora, órgãos reguladores e políticos estão respondendo aos pedidos por mais diversidade.

Algumas mudanças se concentram simplesmente em fazer com que as empresas se ocupem do problema. Em agosto, a Autoridade Monetária de Cingapura aprovou mudanças no código de governança corporativa que obrigam que as empresas de capital aberto divulguem suas políticas de diversidade para os conselhos e o progresso alcançado por essas políticas.

Mas não espere uma evolução rápida, alertou Loh, que descreveu a nova política de Cingapura como um "passo de bebê" na direção certa. "As jurisdições asiáticas estão tomando medidas graduais", disse. "Seria muito perturbador se fossem exigidas mudanças drásticas."

--Com a colaboração de Isabel Reynolds.

Repórteres da matéria original: Bruce Einhorn em Hong Kong, beinhorn1@bloomberg.net;Bhuma Shrivastava em Mumbai, bshrivastav1@bloomberg.net;Shoko Oda em Tóquio, soda13@bloomberg.net

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