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Correção: Odebrecht deixa de pagar US$ 11 mi de cupom

Aline Oyamada

25/10/2018 16h08

(Bloomberg) -- (Corrige valor do cupom no título, no primeiro e no terceiro parágrafos, para US$ 11 mi)

A Odebrecht Engenharia e Construção volta a enfrentar situação difícil, após deixar de realizar um pagamento de juros de US$ 11 milhões que o mercado de dívida corporativa considerava estar coberto.

Pela segunda vez este ano, a empresa utilizará o período de carência de 30 dias para pagar o cupom da emissão de US$ 518,6 milhões em títulos com vencimento em 2025. "Durante o período de carência, a OEC analisará soluções para sua posição financeira de curto e longo prazos no desafiador mercado de Engenharia e Construção", disse a companhia em um comunicado.

Os bônus da Odebrecht caíram nos últimos dois meses, com os investidores mais pessimistas com as perspectivas do conglomerado que está no centro da Lava Jato. Ainda assim, perder o pagamento do cupom de hoje não estava no radar porque esperava-se que o montante - cerca de US$ 11 milhões - estaria coberto pelos R$ 2,6 bilhões da linha de crédito com os bancos que a empresa conseguiu em maio para honrar um pagamento de bônus de R$ 500 milhões que havia perdido no mês anterior.

"Este último anúncio foi, na minha opinião, particularmente preocupante por causa da linguagem, que foi vaga sobre as suas opções de pagamento após o período de carência", disse Rafael Elias, o chefe de pesquisa de crédito da América Latina na Exotix. "Eu acho que eles estão chegando muito perto do fim da linha."

A causa mais recente de preocupação é liderança Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas para a disputa presidencial e sua campanha contra a corrupção. Os laços históricos da Odebrecht com Partido dos Trabalhadores, que se opõe a Bolsonaro e critica a Lava Jato, leva analistas a especularem que um eventual governo do capitão da reserva estaria menos propenso a abrir caminho para os negócios da construtora.

O não pagamento do cupom desta semana não era esperado, dado o tamanho pequeno, disse Roger Horn, estrategista sênior de mercados emergentes da SMBC Nikko Securities America em Nova York. "Isso é muita distância dos US$ 5 bilhões que a empresa tinha em caixa no início do escândalo da Lava Jato há quatro anos."

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net