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Fed quer aliviar estresse de Wall Street em testes de estresse

Jesse Hamilton

12/11/2018 13h08

(Bloomberg) -- Wall Street precisará esperar mais até que reguladores nomeados pelo presidente Donald Trump tornem os testes de estresse dos bancos menos estressantes. Mas essa paciência pode ser recompensada com um número bem maior de concessões do que se previa.

Randal Quarles, responsável por supervisão no Federal Reserve (o banco central dos EUA), avisou na sexta-feira que a reformulação dos testes anuais não entrará em vigor antes de 2020.

A boa notícia dele para Wall Street é que a reformulação pode tratar de três questões que há muito tempo frustram os bancos: a possibilidade de rejeição pública de seus planos de recompra de ações e distribuição de dividendos, a falta de transparência do processo de teste e a redução do estigma quando uma instituição é reprovada na parte qualitativa da avaliação.

Esses testes foram implementados pelo Fed após a crise financeira de 2008 para determinar se os bancos têm capital suficiente para absorver perdas desencadeadas por outra eventual crise. O noticiário é embaraçoso para instituições reprovadas, que também são proibidas de distribuir dinheiro aos investidores.

Outra concessão

Na sexta-feira, durante evento na Brookings Institution, em Washington, Quarles disse que o Fed pretende fazer outra concessão a Wall Street, adiando uma nova regra que forçará os maiores bancos a guardar mais capital.

Em abril, o Fed propôs que a regulamentação de capital com base em risco seja atrelada aos testes de estresse. A expectativa é que a nota resultante do desempenho de cada instituição nos testes obrigue os maiores bancos a aumentar o capital. Para o resto do setor bancário, no entanto, a mudança reduziria a quantidade de capital para amortecer choques em dezenas de bilhões de dólares.

Segundo Quarles, a revisão da regra para os grandes bancos vai ficar pronta depois de 2019, que era o cronograma original. Ele acrescentou que trechos da proposta ainda podem avançar no ano que vem.

Mais transparência

O Fed considera revisar a proposta de permitir que os bancos saibam os resultados dos testes de estresse antes que façam os planos de distribuição de capital. Isso reverteria um dos aspectos mais dramáticos dos testes, uma vez que os bancos precisam adivinhar a quantidade de capital que poderão devolver aos acionistas na forma de dividendos e correm risco de o Fed rejeitar os planos deles em praça pública.

Quarles revelou que prefere remover a exigência de que os bancos fiquem acima de um limite de alavancagem sob os cenários adversos dos testes. Segundo ele, o Fed está tentando melhorar sua forma de medir riscos a partir dos registros de transações dos bancos.

Para bancos com menos de US$ 250 bilhões em ativos ? incluindo SunTrust Banks e Fifth Third Bancorp ?, o Fed tenta diminuir a frequência dos exames para anos intercalados. Quarles está pressionando os colegas para que não haja teste em 2019, de modo que os bancos só voltarão a ser testados em 2020.

Na proposta de abril, o Fed já havia feito concessões nos testes de estresse, removendo a hipótese de que os bancos continuariam expandindo seus balanços patrimoniais e pagando dividendos quando enfrentassem grande estresse econômico. A proposta também eliminaria alguns dos limites de capital que os bancos precisam superar. No entanto, o nível mínimo de capital"aumentaria um pouco" para instituições como JPMorgan Chase e Citigroup, segundo estimativa da instituição.