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Londres é cenário de drama de Bollywood com xeque e empresário

Jonathan Browning

19/11/2018 15h56

(Bloomberg) -- O "desejo descontrolado e extravagante" de um xeque do Bahrein de conhecer as maiores estrelas do cinema de Bollywood resultou em uma ação judicial em Londres na qual é acusado de dever milhões ao empresário egípcio que organizou as sessões particulares.

O xeque Hamad Isa Ali al-Khalifa, primo de segundo grau do rei do Bahrein, disse a um tribunal nesta segunda-feira que havia assistido a centenas ou até milhares de filmes de Bollywood e que era capaz de recitar alguns diálogos palavra por palavra.

Ele é acusado de renegar um acordo para pagar um empresário para que agendasse apresentações a 26 estrelas do cinema indiano, incluindo Shah Rukh Khan, por US$ 1,5 milhão por reunião. Apesar de o xeque ter efetuado pagamentos por algumas das primeiras reuniões, ele negou que tenha fechado um acordo por uma lista de estrelas ou que tivesse contrato com seu "bom amigo" Ahmed Adel Abdallah Ahmed.

"Com o benefício da retrospectiva, posso ver que ele estava se aproveitando de mim na época. Eu o considerava um amigo e, portanto, só queria agradá-lo", disse o xeque de 50 anos.

Os advogados do xeque argumentam que Ahmed se aproveitou de seu cliente em um momento de dificuldade.

O empresário estava ajudando a transformar os "sonhos do xeque em realidade e a sair do luto após a morte de seu pai", disse o advogado do xeque Hamad em documentos judiciais.

Ahmed agendou reuniões em hotéis de luxo de Mumbai com estrelas como Shah Rukh Khan e Salman Khan. Nas reuniões, o xeque entregou "presentes bastante caros", incluindo relógios incrustados de pedras preciosas cuidadosamente selecionados na loja de departamentos Harrods, em Londres.

"Eram encontros artificiais que precisavam ser encenados e pagos", disse o advogado de Ahmed, Stephen Nathan, nos documentos judiciais. O serviço dele criava a sensação de "uma reunião social casual na companhia individual de astros de Bollywood", disse. "Mas nada era real."

O xeque, que disse ter começado a gostar de Bollywood por causa de sua babá indiana, disse que tinha "o vício de agradar as pessoas" e que era "predisposto" a tentar fazer as pessoas felizes.

Ele foi indagado a respeito de seu entendimento sobre o significado de um contrato. Respondeu que, antes da morte do pai, um ex-ministro do Petróleo do Bahrein, ele não estava "exposto" a transações e acordos financeiros.

O xeque era, segundo seu executivo bancário particular, "bastante ingênuo no tocante ao dinheiro".