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Ataque ao celular afetará americanos na próxima onda tarifária

Enda Curran

22/11/2018 13h01

(Bloomberg) -- Os consumidores americanos serão duramente atingidos se o presidente dos EUA, Donald Trump, levar adiante a aplicação de tarifas às importações restantes da China, que somaram cerca de US$ 260 bilhões em 2017.

O motivo é que a China tem uma participação de mercado "excepcionalmente grande" em produtos que até o momento escaparam das tarifas, segundo nova pesquisa do Deutsche Bank. O banco ressalta que 93 por cento das importações de laptops dos EUA vieram da China em 2017 e que 80 por cento das importações de celulares também vieram do país asiático.

"O significado disso é que haverá poucas oportunidades para os consumidores americanos evitarem as tarifas optando por importações não chinesas dos mesmos produtos", escreveu o estrategista Shreyas Gopal em nota. "Para outros países, o significado disso é que haverá menos espaço para tirar proveito dos efeitos do desvio do comércio."

Ao mesmo tempo, os produtos que poderiam ser tarifados têm conteúdo de importação muito alto de fora da China. Apesar de a China em tese exportar cerca de US$ 45 bilhões em telefones celulares para os EUA, mais de 80 por cento do valor vem de peças importadas de outros países da Ásia e de propriedade intelectual americana, segundo a pesquisa do Deutsche.

"O potencial de ganho para o país que substituir a China como montador e distribuidor de produtos tecnológicos é mais limitado do que pode parecer à primeira vista e os custos atingiriam toda a cadeia de abastecimento asiática e também os americanos donos de propriedade intelectual", escreveu Gopal.

--Com a colaboração de Natalie Lung.