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Nintendo Switch perde brilho com vendas abaixo da meta

Yuji Nakamura

28/11/2018 11h47

(Bloomberg) -- Com poucos títulos atraentes para a temporada de compras de fim de ano e projeção de vendas abaixo das metas da empresa, crescem as dúvidas quanto à possibilidade de o Nintendo Switch algum dia se tornar um produto do mercado de massa.

Quando o aparelho foi lançado, no ano passado, como um console híbrido que podia ser levado para qualquer lugar, era um clássico Nintendo -- um novo aparelho que quebrava as normas dos videogames convencionais. Equipado com uma tela embutida e controles hipersensíveis, o Switch era considerado um digno sucessor do Wii, o console que quebrou regras e foi um grande sucesso da Nintendo.

O objetivo era simplificar ao máximo a experiência de jogo e ao mesmo tempo permitir que as pessoas usassem o produto de maneiras novas, transformando-o por exemplo em um piano virtual ou em uma motocicleta. Mas até o momento o Switch tem tido dificuldades para encontrar clientes fora de sua base principal de fãs. O Switch está a caminho de alcançar 35 milhões de unidades vendidas até março, segundo a média das estimativas de oito analistas compiladas pela Bloomberg, abaixo da meta da Nintendo, de 38 milhões.

Depois de saturar suas melhores franquias -- Super Mario, Zelda e Splatoon -- nos 12 primeiros meses, a empresa com sede em Kyoto ficou com menos jogos para mostrar no segundo ano, o que prejudicou as vendas de hardware. Os acessórios de papelão lançados em abril, chamados Nintendo Labo, não foram suficientes para ampliar o interesse fora do grupo que já planejava comprar um Switch.

"Todos os grandes consoles precisam de um ótimo segundo ano e a Nintendo não entregou um ao Switch", disse Cornelio Ash, analista da William O'Neil em Los Angeles. "Os investidores pensaram durante cinco anos que talvez pudessem vender 90 milhões de unidades. Mas depois deste ano, isso parece praticamente impossível."

A Nintendo preferiu não comentar a projeção ou os planos para o Switch e representantes recordaram comentários recentes de executivos afirmando que é cedo demais para avaliar o desempenho do segundo ano e que a empresa mantém sua projeção.

O trimestre das festas de fim de ano responde historicamente por cerca de metade das receitas da produtora de jogos e os analistas vêm reduzindo suas estimativas para o lucro operacional e a receita do ano cheio desde março. As ações da Nintendo caíram cerca de 33 por cento desde o pico de janeiro, eliminando mais de US$ 20 bilhões em valor de mercado. Os papéis subiam menos de 1 por cento no início do pregão de quarta-feira, em Tóquio. A queda foi impulsionada inicialmente pelas vendas a descoberto dos fundos de hedge, mas os declínios recentes foram ampliados pelos acionistas atuais, segundo dados da Markit Securities.

"As ações estão retornando ao nível de quando o Switch foi anunciado, o que não é muito positivo para suas perspectivas de longo prazo", disse Ash. Mesmo assim, 20 dos 23 analistas monitorados pela Bloomberg continuam recomendando a compra das ações.

--Com a colaboração de Yuki Furukawa e Kurt Schussler.