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Nissan quer chaves de casas que Ghosn usava mundo afora

Ma Jie, Donna Abu-Nasr, David Biller e Carol Matlack

11/12/2018 13h04

(Bloomberg) -- A Nissan Motor está tentando impedir o acesso às residências usadas por Carlos Ghosn em Beirute e no Rio de Janeiro, parte de uma rede global de imóveis pertencentes à fabricante de veículos e concedidos ao presidente deposto, segundo pessoas a par da situação.

A Nissan forneceu a Ghosn e sua família o uso de imóveis em lugares como Brasil e França durante seu mandato, que teve um fim abrupto no mês passado, quando o titã dos carros foi preso em Tóquio por suspeita de crimes financeiros.

Promotores do Japão indiciaram Ghosn e a Nissan na segunda-feira, acusando-o de ter subdeclarado sua renda. O executivo franco-brasileiro foi preso novamente em Tóquio por acusações que cobrem um período de tempo diferente das acusações anteriores. Isso vai mantê-lo em detenção por pelo menos mais 10 dias.

Enquanto a batalha jurídica é travada no Japão, a Nissan tenta evitar que a família de Ghosn tenha acesso a um apartamento de luxo no Rio de Janeiro, avaliado em cerca de US$ 3 milhões, e a uma mansão cor-de-rosa no distrito histórico de Beirute, que a companhia comprou por US$ 8,75 milhões em 2012, dizem as pessoas, que estão familiarizadas com a investigação sobre Ghosn realizada pela Nissan, que fundamentou a prisão do executivo.

As fechaduras de vários imóveis já foram trocadas, disseram as pessoas. A esposa de Ghosn, Carole, foi impedida de entrar na casa em Beirute, disseram. No Brasil, a Nissan contesta a decisão de um tribunal local de conceder a representantes do Ghosn acesso ao apartamento do Rio "devido à alta probabilidade de que provas sejam removidas ou destruídas", afirmou a fabricante de veículos em comunicado na segunda-feira.

A Nissan não conseguiu entrar em outras casas em Paris e Amsterdã porque apenas Ghosn e seu assistente têm as chaves dos imóveis, de acordo com as pessoas.

A Bloomberg News rastreou cinco dos imóveis da Nissan. Embora Ghosn não fosse um visitante frequente de nenhum desses lugares - ele é famoso por passar boa parte do tempo no avião particular da empresa, pulando de um continente a outro -, sua presença foi notada por vizinhos e prestadores de serviços entrevistados pelos repórteres da Bloomberg.

Não está claro se o uso que Ghosn fez das casas está sendo investigado pelos promotores japoneses, mas as pessoas a par do assunto dizem que os imóveis aparecem na investigação da companhia sobre seu ex-presidente, que salvou a Nissan ao criar uma aliança com a Renault duas décadas atrás.

A localização das residências foi verificada com endereços listados em documentos vistos pela Bloomberg, incluindo registros de transações e de imóveis, e entrevistas com prestadores de serviços e pessoas com conhecimento direto da investigação da Nissan e do caso de Ghosn, que pediram anonimato ao discutir informações privadas.

Apartamento em Amsterdã: a Nissan paga o aluguel mensal de 8.000 euros deste apartamento, que é usado exclusivamente por Ghosn, disse uma pessoa.

Mansão em Beirute: esta casa está registrada no nome da Nissan, mas estava à disposição de Ghosn, disse Hadi Hachem, chefe de gabinete do ministro das Relações Exteriores do Líbano.

Residência em Paris: localizada em uma das avenidas mais luxuosas de Paris e com três andares, foi comprada por uma subsidiária da Nissan em 2006, segundo documentos de registro de imóveis franceses.

Apartamento no Rio de Janeiro: após a prisão de Ghosn, representantes da Nissan trocaram as fechaduras deste apartamento e pegaram carros da garagem, de acordo com uma pessoa com conhecimento das ações. A Nissan é proprietária do apartamento, disseram duas pessoas.

Apartamento em Tóquio: este apartamento foi alugado em nome de Ghosn até junho de 2017, quando foi transferido para a Nissan. A empresa pagou o aluguel mensal de 1 milhão de ienes (US$ 8.900) antes e depois da transferência, disse uma pessoa.

--Com a colaboração de Peter Millard, Ruben Munsterman e Ania Nussbaum.

Repórteres da matéria original: Ma Jie em Tóquio, jma124@bloomberg.net;Donna Abu-Nasr em Beirut, dabunasr@bloomberg.net;David Biller no Rio de Janeiro, dbiller1@bloomberg.net;Carol Matlack em Paris, cmatlack@bloomberg.net