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Ghosn faz novo pedido de fiança enquanto seus pares vão a Davos

Ania Nussbaum, Matthew Campbell e Helene Fouquet

21/01/2019 14h59

(Bloomberg) -- Nesta época do ano, Carlos Ghosn normalmente estaria encontrando seus pares da elite global no Fórum Econômico Mundial em Davos. Mas hoje ele está definhando em uma prisão de Tóquio.

Agora, o ex-presidente da Nissan Motor está fazendo um último esforço para obter a liberdade sob fiança, prometendo permanecer no Japão antes de seu julgamento por suposta má conduta financeira. Ele até se ofereceu para usar um rastreador eletrônico e ser monitorado por seguranças particulares, ambos pagos por ele.

"Vou morar no Japão e respeitar todas e quaisquer condições de fiança que o tribunal considerar justificadas", disse Ghosn, 64, em comunicado. "Vou comparecer ao meu julgamento, não apenas porque sou legalmente obrigado a fazê-lo, mas porque estou ansioso para finalmente ter a oportunidade de me defender."

Ghosn está preso desde 19 de novembro, acusado de crimes financeiros que poderiam colocá-lo atrás das grades por décadas. O titã do setor automotivo foi acusado de não declarar dezenas de milhões de dólares em seus rendimentos na Nissan e de transferir perdas comerciais pessoais para a montadora. A Nissan também alega que Ghosn usou indevidamente fundos da empresa, entre outras coisas para comprar casas do Brasil ao Líbano, e que contratou a irmã para um trabalho de consultoria. Ghosn negou irregularidades.

Elite

Nas duas décadas que passou à frente do setor automobilístico mundial, Ghosn tornou-se um dos chefes corporativos mais célebres de sua geração, sintetizando um grupo de elite de industriais impetuosos que viajam pelo mundo com foco exclusivo nos resultados. Ele era visto como a figura por excelência de Davos, alguém no topo da lista do encontro econômico global na estação de esqui suíça. O evento anual começa na terça-feira.

A Nissan demitiu Ghosn quase imediatamente, mas ele ainda mantém seus cargos na Renault e na aliança entre as duas fabricantes -- mas provavelmente não por muito tempo. O CEO da Michelin, Jean-Dominique Senard, deve se juntar à liderança da Renault, disseram pessoas a par do assunto à Bloomberg News.

Pedido

Os advogados de Ghosn fizeram um novo pedido de fiança na sexta-feira, depois que, na semana passada, um tribunal rejeitou o pedido anterior. Ele deve saber se o novo pedido foi aceito na terça-feira de manhã, horário de Tóquio, de acordo com seus advogados, representados por Motonari Otsuru.

Se for libertado, Ghosn está disposto a entregar seus passaportes, oferecer ações como garantia e abster-se de entrar em contato com qualquer pessoa que possa ser testemunha contra ele, disse Devon Spurgeon, porta-voz da família. Os pedidos anteriores de liberação de Ghosn abriam a possibilidade de que ele fosse para a França, onde tem cidadania, e depois voltasse para o Japão para o julgamento.

Mesmo uma liberação altamente restrita permitiria que Ghosn se preparasse melhor para o julgamento. Como é habitual no Japão, ele tem sido interrogado na prisão sem a presença de seus advogados e não tem acesso a documentos que possam ajudá-lo a elaborar uma defesa. Ele também foi impedido de ver ou de se comunicar com a família.

--Com a colaboração de Ma Jie e Kae Inoue.

Repórteres da matéria original: Ania Nussbaum em Paris, anussbaum5@bloomberg.net;Matthew Campbell em Londres, mcampbell39@bloomberg.net;Helene Fouquet em Paris, hfouquet1@bloomberg.net