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Huawei enfrenta governo dos EUA no maior evento de telefonia

Stefan Nicola, Natalia Drozdiak e Nick Wadhams

07/02/2019 15h29

(Bloomberg) -- A Huawei Technologies, que enfrenta uma crescente repressão global a seus equipamentos de telecomunicações, está ampliando sua presença na maior conferência do setor na tentativa de fechar negócios. Esses planos podem ser frustrados por um poderoso inimigo: o governo dos EUA.

As autoridades americanas também estão aumentando o tamanho da delegação que participará do Congresso Mundial de Telefonia Celular (MWC, na sigla em inglês), em Barcelona, neste mês, afirmando que querem ajudar outros países a focar na segurança da próxima geração de dispositivos móveis. Eles não consideram a reunião um confronto com a Huawei, mas sua agenda -- fornecida por três funcionários que pediram para não ser identificados -- é uma referência não muito velada às suas preocupações em relação à gigante chinesa da tecnologia em meio a acusações de espionagem e aplicações de sanções.

A delegação americana pretende defender outras fornecedoras de dispositivos móveis de última geração, como Cisco Systems, Ericsson e Nokia, segundo um dos representantes. O esforço ocorre em um momento em que o governo Trump intensifica sua campanha na Europa, maior mercado da Huawei fora da China, onde os governos do Reino Unido, da Alemanha, da França e de outros países avaliam se devem restringir o uso de equipamentos de redes 5G da empresa com sede em Shenzhen.

O foco americano na Huawei se estende dos equipamentos da empresa às acusações de roubo de propriedade intelectual e violação das sanções às exportações para o Irã, em uma escalada de tensões entre as duas maiores economias do mundo. A Huawei negou irregularidades e sustenta há tempos que não fornece acesso sigiloso ao governo chinês, ressaltando que ninguém apresentou evidências que respaldem essas preocupações.

O MWC é um evento anual fundamental que tem ajudado a Huawei -- uma das principais patrocinadoras do encontro -- a consolidar sua reputação como fornecedora dominante de equipamentos de telecomunicações. A Huawei assinou diversos acordos no ano passado, por exemplo com a francesa Bouygues Telecom, para transformar Bordeaux na primeira cidade a receber uma rede 5G, e com a BT Group, para realizar mais testes conjuntos com 5G.

"Continuamos crescendo no MWC", disse Adam Mynott, porta-voz da Huawei, por telefone. "Este continua sendo nosso evento comercial mais importante do ano."

Telefone dobrável

Neste ano, a Huawei revelará um telefone dobrável com 5G, demonstrará como a tecnologia funciona em uma apresentação conjunta com a Vodafone Group e disponibilizará executivos para contato com jornalistas, políticos e clientes. Cerca de 100.000 pessoas deverão participar da conferência, que tem duração de quatro dias e começa em 25 de fevereiro, para ver os mais recentes telefones, aparelhos de inteligência artificial e drones autônomos exibidos por cerca de 2.000 empresas.

Os EUA querem transmitir a convicção de que a segurança das redes 5G é primordial porque a tecnologia é fundamental para a digitalização do mundo, independentemente de qualquer fornecedor individual, disse um dos funcionários americanos consultados.

"A Huawei é um exemplo de sucesso global da China -- provavelmente o maior", disse Bengt Nordstrom, chefe da consultoria de telecomunicações Northstream. O envio de representantes do governo dos EUA ao Congresso Mundial de Telefonia Celular para fazer lobby contra a empresa, disse ele, "soa para mim como uma escalada do problema".

Repórteres da matéria original: Stefan Nicola em Berlim, snicola2@bloomberg.net;Natalia Drozdiak em Bruxelas, ndrozdiak1@bloomberg.net;Nick Wadhams em Washington, nwadhams@bloomberg.net