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Tipos de petróleo desprezados ganham preferência e preços sobem

Tamir Kalifa/The New York Times
Imagem: Tamir Kalifa/The New York Times

Michelle Kim e Serene Cheong

14/02/2019 13h13

(Bloomberg) -- Alguns dos tipos de petróleo mais sujos e densos do mundo, normalmente rejeitados por serem muito difíceis de processar, estão ganhando um lugar ao sol com uma pequena ajuda de Donald Trump.

O petróleo "pesado e azedo" de países como Venezuela e Iraque têm um teor de enxofre mais elevado e é mais viscoso que o petróleo "leve e doce" extraído nos campos de xisto dos EUA e no Mar do Norte, na Europa.

Os óleos mais sujos geralmente podem ser comprados com grande desconto em comparação com os tipos mais fáceis de refinar, mas se valorizaram fortemente nas últimas semanas. Pelo menos duas variedades passaram a ser vendidas com ágio.

Sua força incomum tem sua origem na política dos EUA: a efetiva proibição dos EUA ao petróleo venezuelano obrigou as refinarias da Costa do Golfo a buscar alternativas em outros lugares.

A decisão de Trump de restituir as sanções ao Irã também reduziu as ofertas do Oriente Médio, a maioria delas do tipo "médio e azedo", que é mais pesada do que o petróleo bruto leve.

Os carregamentos da região estão sendo pressionados ainda mais porque a Arábia Saudita realiza a maior parte dos cortes de produção da Opep.

Apesar de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo estar limitando a produção na tentativa de evitar um excedente mundial, impulsionado pela oferta abundante de óleo leve, os cortes estão contribuindo, em vez disso, para a redução dos tipos de petróleo bruto pesado e médio. Os efeitos estão repercutindo na relação de preço entre tipos de petróleo de referência em todo o mundo.

Apenas nesta semana, o petróleo Dubai, referência no Oriente Médio, subiu e ficou mais caro que o Brent de Londres. O fenômeno se deu depois de o óleo ter sido negociado com desconto médio de cerca de US$ 2,50 por barril em 2018, mostram dados compilados pela Bloomberg.

No início do mês, outro tipo de petróleo do Oriente Médio, o Oman --que tem maior teor de enxofre do que o petróleo europeu-- também ficou mais caro que a referência de Londres pela primeira vez desde dezembro. Agora, apresenta ágio de cerca de US$ 0,50, contra um desconto de cerca de US$ 1,50 por barril no começo de janeiro.

Não são apenas os tipos de petróleo do Oriente Médio que estão ganhando força. Nesta semana, o petróleo Mars, extraído no Golfo do México, apresenta o maior ágio em cinco anos em comparação com o West Texas Intermediate porque as refinarias nacionais buscaram carregamentos para substituir a oferta da Venezuela.

O desconto no Western Canadian Select em comparação com o WTI caiu para cerca de US$ 10 por barril, contra US$ 50 em outubro.

Na Ásia, a gigante estatal de energia PetroChina está vendendo petróleo venezuelano Merey para fevereiro a um preço cerca de US$ 5 mais caro por barril que o WTI, segundo documento de oferta visto pela Bloomberg.

O petróleo era vendido com desconto no país antes de o governo Trump começar a atacar o produtor da Opep, no fim do mês passado, na tentativa de derrubar o autocrata Nicolás Maduro.

(Com a colaboração de Sharon Cho, Alfred Cang e Sheela Tobben)

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