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Mundo ainda não tem pontos suficientes de recarga de carros

Brian Eckhouse, David Stringer e Jeremy Hodges

15/02/2019 15h03

(Bloomberg) -- Mesmo nos maiores mercados de veículos elétricos, o motorista que se aventurar longe demais de casa pode ter dificuldades para encontrar lugar para recarregar.

Tente a sorte na Pacific Coast Highway, na Califórnia. A rota de aproximadamente 960 quilômetros entre San Diego e São Francisco tem enormes falésias, refúgios desconectados da rede de energia elétrica, exuberantes vinhedos -- e, em alguns trechos longos, poucos pontos de recarga para veículos elétricos que não sejam da Tesla.

A Califórnia responde por cerca de metade dos carros de passageiros movidos a bateria dos EUA e faz mais do que quase qualquer outro lugar para estimular os veículos elétricos, o que não significa que seja sempre fácil recarregar. Os motoristas enfrentam frustrações semelhantes fora dos principais centros urbanos da China e em viagens de estrada pela Europa. Executivos do incipiente setor de recargas, que está atraindo investimentos tanto de fabricantes de veículos quanto de gigantes do setor de energia, sabem que a infraestrutura limitada virou um gargalo.

"É uma péssima experiência recarregar um carro hoje", disse Roy Williamson, vice-presidente da unidade de mobilidade avançada da gigante de petróleo BP, que está investindo em operadoras de recarga e empresas de tecnologia, em conferência da BloombergNEF, em São Francisco, neste mês.

A primeira coisa necessária é mais lugares para se conectar. A frota global de veículos elétricos chegou a 5 milhões de unidades no ano passado, segundo a BNEF, apoiada por 632.000 pontos de recarga públicos em todo o mundo. Em um cenário no qual os veículos elétricos atingem uma participação de mercado de 30 por cento até 2030, a Agência Internacional de Energia projeta a necessidade de algo entre 14 milhões e 30 milhões de carregadores públicos distribuídos por todo o mundo para atender veículos de passageiros comuns.

A limitada infraestrutura atual não está distribuída de forma equitativa. Cerca de metade dos carregadores públicos existentes está concentrada na China, que é de longe o principal mercado de veículos elétricos, e mais de dois terços em todo o mundo são unidades mais lentas, capazes de recarregar apenas 16 quilômetros de energia a cada 30 minutos na tomada. Os veículos elétricos de melhor desempenho são capazes de trafegar mais de 320 quilômetros com carga completa, o que significa que quem encontra um carregador antigo corre o risco de precisar esperar horas para que a bateria seja recarregada.

O significado disso é que os motoristas podem ter experiências bastante diferentes dependendo de onde recarregam. Uma tomada doméstica comum pode levar cerca de 12 horas para encher uma bateria que tinha apenas 20 por cento de carga, embora o problema seja mínimo quando a recarga é realizada durante a noite. Conectar-se a um carregador capaz de velocidades médias -- disponível nas residências de alguns proprietários de veículos elétricos, junto a rodovias ou em estacionamentos de shopping centers -- adiciona 16 a 100 quilômetros de autonomia por hora. Os carregadores rápidos mais comuns podem adicionar pelo menos 120 quilômetros em 30 minutos, a um custo mais alto, embora a maioria ainda não esteja à altura do sonho de igualar o tempo de 10 minutos necessário para encher o tanque em um posto de gasolina.