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Quem vai ser o próximo presidente do Banco Central Europeu?

Catarina Saraiva, Jana Randow e Paul Gordon

28/02/2019 14h13

(Bloomberg) -- A disputa para suceder a Mario Draghi na presidência do Banco Central Europeu parece cada vez mais uma guerra franco-finlandesa, sendo que uma pesquisa com economistas da Bloomberg mostra duas autoridades de cada um desses países entre os quatro principais candidatos.

Erkki Liikanen, ex-presidente do banco central finlandês, continua na liderança, um pouco à frente do presidente do banco central francês, François Villeroy de Galhau. Olli Rehn, compatriota de Liikanen, pulou para o terceiro lugar, e o francês Benoit Coeuré vem logo atrás dele. O alemão Jens Weidmann ficou relegado ao quinto lugar.

A nomeação faz parte da disputa entre os governos por muitos cargos superiores da UE, com foco na nacionalidade, no gênero e na experiência. A presidência de Draghi foi definida por um estímulo sem precedentes e pela promessa de fazer "o que fosse necessário" para preservar o euro. O sucessor do italiano herdará um plano para reverter gradualmente essas medidas e reconstruir as contenções antes da próxima recessão.

A seguir, os candidatos com mais chances de suceder a Draghi na presidência do BCE, com base em uma pesquisa com economistas da Bloomberg.

Erkki LiikanenVeterano da UE

O homem de 68 anos deixou a presidência do banco central da Finlândia em julho e contribuiria com décadas de experiência em Bruxelas para a chefia do BCE em um momento em que os governos tentam resolver as deficiências estruturais da moeda comum. Em 2012, no auge da crise da dívida, ele presidiu um grupo de especialistas que esboçou um plano de reformas para o setor bancário da UE. Esse plano foi implementado apenas parcialmente.

Liikanen foi eleito para o parlamento finlandês quando tinha apenas 21 anos de idade, e desde então ele ocupou cargos como comissário europeu, ministro das Finanças, embaixador em Bruxelas e secretário-geral do Partido Social-Democrata da Finlândia.

Ele disse que não se candidatará ao cargo, mas "pode haver situações em que alguém lhe pergunte se você cumprirá seu dever, e é preciso considerar isso". Ele é um confidente íntimo de Draghi e apoiou o estímulo extraordinário. Também é considerado moderado e pragmático.

François Villeroy de GalhauExecutivo bancário que fala alemão

O presidente do banco central da França é visto como um sério candidato se os governos não quiserem nomear um alemão. Desde que assumiu o comando do Banco da França em 2015, Villeroy se manteve fiel à linha de Draghi e apoiou o estímulo constante.

No entanto, ele também é ex-executivo do BNP Paribas, experiência que o torna muito ciente dos receios dos bancos em relação às taxas de juros negativas do BCE. Isso provavelmente não sirva de muito consolo para os alemães, mas ele tem laços com o país vizinho.

Com 60 anos, o descendente da família de fabricantes de cerâmica Villeroy & Boch vem da região fronteiriça da Alsácia e adora se dirigir aos alemães na língua deles. Weidmann, que fala francês, retribui a gentileza.

Olli RehnEurocrata finlandês

Rehn, de 56 anos, pode até ser uma das caras mais novas nos bancos centrais europeus, mas esteve envolvido em assuntos econômicos há muitos anos. Como comissário da UE encarregado do euro durante a crise de dívida da região, ele foi um defensor tenaz da disciplina fiscal antes de voltar à política finlandesa em 2015 como ministro da Economia para tirar seu país de uma recessão que durou três anos.

Ele assumiu a presidência do banco central da Finlândia quando Liikanen pediu demissão, em meados de 2018, e é um dos poucos membros do Conselho do BCE a usar o Twitter ativamente.

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