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Mercado de trabalho aquecido propicia avanço a mulheres e negros

Jeanna Smialek

07/03/2019 11h26

(Bloomberg) -- Trabalhadores negros e mulheres ganham quando a economia dos EUA fica aquecida por um tempo, de acordo com uma nova pesquisa da presidente do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly, e de coautores.

"Encontramos evidências de que certos trabalhadores desfavorecidos se beneficiam especialmente de um fortalecimento maior quando o mercado de trabalho já está forte", de acordo com o estudo de Stephanie Aaronson, da Brookings Institution, dos economistas do Conselho do Fed David Wilcox e William Wascher, e de Daly. "Além disso, para mulheres e negros, esses ganhos parecem ser pelo menos um pouco persistentes."

Os pesquisadores analisam como adultos de 25 a 64 anos se saíram em expansões entre 1976 e meados de 2018, definindo o ciclo econômico pela taxa geral de desemprego: economias "aquecidas" são aquelas em que o desemprego está abaixo da estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso para a chamada taxa natural. Assim como estudos anteriores, eles mostram que negros, latinos e pessoas com escolaridade limitada têm resultados piores no mercado de trabalho quando a economia está oscilante e ganhos mais fortes quando ela está apertada.

Mas sua principal conclusão - de que os benefícios para os grupos minoritários se intensificam durante os mercados de trabalho aquecidos e podem durar pelo menos um tempo depois - é importante para a política monetária. Isso sugere que, quando o Fed deixa os juros baixos e permite que o mercado de trabalho fique forte, essa opção pode ajudar a diminuir antigas desigualdades do mercado de trabalho, pelo menos temporariamente. Essa noção contrasta com um refrão frequentemente repetido de que as taxas são uma ferramenta suave demais para resolver essas questões distributivas.

"Os últimos incrementos do fortalecimento parecem reduzir as disparidades do mercado de trabalho um pouco mais do que os incrementos anteriores do fortalecimento", escreveram eles na análise. Os resultados são "condizentes com a existência de reflexos positivos de uma expansão que poderia ter benefícios duradouros para os indivíduos e a economia".

Dito isso, outros estudos sugerem que esses efeitos podem desaparecer, e é preciso assumir alguns riscos para administrar um mercado de trabalho extremamente apertado. A inflação poderia decolar com a escassez de mão de obra, elevando os salários e os preços. Os investidores poderiam assumir riscos excessivos na tentativa de obter retornos maiores em um mundo de juros baixos. Se alguma dessas situações levasse a uma forte recuperação das taxas que elevam o desemprego, as minorias poderiam pagar mais caro.

Economias aquecidas também podem distorcer incentivos, observam os autores. As pessoas poderiam deixar a faculdade ou capacitações para lucrar com a abundância de oportunidades de trabalho, uma decisão que pode ser prejudicial a longo prazo. As empresas poderiam adiar reorganizações necessárias por causa das vendas que perderiam em uma economia em expansão.

"Administrar uma economia aquecida também traz consigo alguns custos potenciais que as autoridades devem levar em conta ao tomar suas decisões relativas às políticas monetárias", escrevem os autores.