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Disputa por frangos da Pilgrim's Pride abrange 7 estados nos EUA

Deena Shanker

12/03/2019 16h14

(Bloomberg) -- A Pilgrim's Pride enfrenta uma nova frente na batalha com a Sociedade Humana dos EUA devido à forma de criar, abater e vender frango.

O grupo de defesa anunciou que está dando sequência a uma queixa apresentada em dezembro à Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês) enviando cartas aos procuradores-gerais de sete estados americanos para pedir que investiguem a empresa e suas acusações a respeito do tratamento concedido aos animais.

O grupo informou que apesar das promessas da Pilgrim's de que suas aves são tratadas "de forma humana", na verdade elas são criadas em galpões lotados e abatidas por meio de um método que pode fazer com que os animais sejam "afogados em água fervente quando ainda estão totalmente conscientes".

Na apresentação feita à FTC, a Sociedade Humana alegou que a empresa engana os consumidores com a alegação de que os frangos são "criados, transportados e processados da forma mais humana possível". No mês passado, os grupos de defesa do consumidor Food & Water Watch e Organic Consumers Association entraram com uma ação judicial na qual também afirmam que a empresa utiliza propaganda enganosa. Na época, a Pilgrim's Pride respondeu que discordava "veementemente" das acusações feitas na ação judicial.

Após a queixa da Sociedade Humana à FCT, a empresa modificou parte da linguagem usada no website, embora tenha afirmado que o fato de a mudança ter ocorrido neste momento foi uma coincidência. No website, trechos de relatórios de sustentabilidade da Pilgrim's Pride de 2016 e 2017 incluem referências a seu "compromisso incondicional" com o bem-estar animal. A Pilgrim's Pride afirma no website que segue diretrizes do setor "destinadas a promover o tratamento humano e o bem-estar das aves durante todo o processo de produção".

As declarações modificadas não corrigem o problema, disse a Sociedade Humana. "Eles transmitem falsamente ao consumidor razoável que as aves que estão sob os cuidados da Pilgrim's são tratadas de forma humana", escreveu o grupo. Na sexta-feira, a Sociedade Humana afirmou que enviou petições aos procuradores-gerais de Massachusetts, da Flórida, da Pensilvânia, de Virgínia, de Washington, de Illinois e de Maryland solicitando que iniciem investigações próprias.

Os escritórios dos procuradores-gerais de Maryland e Washington confirmaram que receberam a carta, mas preferiram não comentar. Flórida e Massachusetts afirmaram que estão analisando a carta. Illinois e Pensilvânia preferiram não comentar o assunto imediatamente, enquanto a procuradoria-geral de Virgínia, a FTC e a Pilgrim's Pride não responderam.

Cameron Bruett, porta-voz da Pilgrim's Pride, uma subsidiária de Greeley, Colorado, da gigantesca empresa brasileira de processamento de carnes JBS, havia rejeitado anteriormente as alegações da Sociedade Humana. "A Pilgrim's está comprometida com o bem-estar das aves que estão sob nossos cuidados", escreveu Bruett, em e-mail enviado em dezembro. "Celebramos a oportunidade de defender nossa abordagem para o bem-estar animal contra essas falsas alegações."

John Villafranco, especialista em direito publicitário da Kelley Drye & Warren, disse que a Sociedade Humana está "atacando em todas as frentes".

"Eles estão pressionando todas as jurisdições para encontrar uma em que possa haver algum regulador disposto a agir", disse ele, em entrevista.

A estratégia funcionou no passado: após campanha contínua do grupo de defesa do bem-estar animal Compassion Over Killing, em 2005, a United Egg Producers fechou acordo com a FTC para mudar seu logotipo de "Animal Care Certified" ("Certificação por Cuidado Animal") para "United Egg Producers Certified" ("Certificado pela United Egg Producers"). A associação do setor fechou acordo com 16 estados e com o Distrito de Colúmbia, concordando em pagar US$ 100.000 aos estados em honorários jurídicos, para educação do consumidor e outros custos.