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Usina de carvão nos EUA vale US$ 1 e ainda pode estar cara

Will Wade

13/03/2019 13h08

(Bloomberg) -- Um dólar. Esse é o valor de uma antiga usina de carvão do estado do Novo México, nos EUA. E, segundo algumas estimativas, o preço pode estar alto demais.

A Acme Equities, uma holding com sede em Nova York, está negociando a compra da San Juan Generating Station, de 847 megawatts, por US$ 1, depois que quatro dos cinco proprietários decidiram desativá-la. A quinta dona, que é a cidade vizinha de Farmington, afirma que está estudando o acordo com a Acme a um preço irrisório para evitar a perda de cerca de 1.600 empregos diretos e indiretos na região.

O interesse da Acme surge em um momento em que outras empresas estudam deixar o setor de carvão, assolado por dispendiosas regras antipoluição. O plano da Acme é comprar a usina "a um custo muito baixo", investir em tecnologia de captura de carbono para reduzir as emissões e depois vender o CO2 capturado a petroleiras, disse Larry Heller, diretor da holding.

Agindo assim, a Acme "acredita que poderá gerar uma taxa de retorno aceitável", disse Heller por e-mail.

Enquanto isso, a acionista majoritária da San Juan, a PNM Resources, apresenta uma visão muito diferente. A desativação em 2022 levará os clientes a outras alternativas energéticas que estão sendo planejadas no momento, economizando cerca de US$ 3 a US$ 4 por mês em média, informou a PNM.

"Não conseguimos identificar uma solução que tornasse a operação da San Juan Generating Station econômica", disse Tom Fallgren, vice-presidente da PNM, por e-mail.

A possível venda surge no momento em que um novo projeto de lei sobre energia limpa chega à mesa do governador Lujan Grisham. Esse projeto de lei, aprovado pela legislatura na terça-feira passada, exigiria que o estado obtivesse metade de sua energia de fontes renováveis até 2030 e 100 por cento até 2045. Ao mesmo tempo, impõe um limite para as emissões 60 por cento menor do que os níveis atuais da San Juan.

Como resposta, a Acme planeja investir US$ 400 milhões a US$ 800 milhões na modernização da instalação com tecnologia de captura e sequestro de carbono, que coletaria dióxido de carbono antes de lançá-lo na atmosfera, disse Heller.

Isso reduziria as emissões em até 90 por cento e o gás capturado poderia ser vendido a petroleiras, que o utilizam para melhorar a recuperação do poço. O mais importante, segundo Heller: "É uma fórmula financeira vencedora."

Mas a fórmula, na melhor das hipóteses, é complicada. A tecnologia de captura de carbono é controversa, sua instalação é cara e não foi provada em grande escala. Além disso, para fazê-la funcionar na usina da San Juan, a empresa precisaria descobrir como entregar o CO2 aos clientes, já que o gasoduto mais próximo fica a cerca de 32 quilômetros de distância.

O possível negócio surge em meio ao declínio constante do uso de carvão. A Administração de Informação de Energia dos EUA projeta que a participação do carvão na matriz energética dos EUA cairá para 24,7 por cento neste ano, primeira vez que ficaria abaixo de um quarto do total nos dados da agência desde 1949.