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Caso de assédio sexual no HSBC reflete desafios da era MeToo

Stefania Spezzati

12/04/2019 16h00

(Bloomberg) -- Na era MeToo, empresas financeiras de todo o mundo enfrentam o desafio de lidar com as queixas de assédio sexual. O caso em questão: HSBC Holdings.

O banco iniciou uma investigação depois que uma funcionária se queixou de que foi assediada sexualmente por um executivo sênior em um sofisticado restaurante de Nova York. No entanto, a instituição permitiu que o banqueiro Thibaut de Roux desse uma palestra sobre conduta em uma reunião da prefeitura no final de agosto, enquanto a investigação estava em andamento, segundo pessoas com conhecimento do assunto. Em apresentação transmitida globalmente a milhares de funcionários do banco, ele exibiu um slide, visto pela Bloomberg News, afirmando que "a conduta é primeiro uma cultura".

A investigação sobre o caso de assédio sexual, conduzida pelo departamento de recursos humanos do HSBC, levou quatro meses. A jovem, de cerca de 20 anos, não recebeu informações sobre o andamento do processo, apesar dos vários questionamentos, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas. Ela alegou que De Roux repetidamente esfregou sua perna por baixo de uma mesa de jantar e fez carícias indesejadas, segundo um e-mail escrito por ela e ao qual a Bloomberg News teve acesso.

Em setembro, o banco informou que De Roux estava deixando o HSBC e que planejava se aposentar. O HSBC não forneceu mais detalhes sobre as circunstâncias da saída do executivo, mas destacou sua significativa contribuição para os negócios de mercados globais em seus 28 anos no banco. De Roux era diretor de mercados globais do HSBC, uma unidade do banco de investimentos, e trabalhava em Londres.

O período de investigação, a suposta forma como a jovem foi tratada e o fato de o executivo aparentemente ter deixado o banco em boas condições levantam questões sobre como o HSBC abordou o incidente.

O banco "continuamente" toma medidas para melhorar a abordagem de queixas de conduta sexual inadequada, disse John Flint, diretor-presidente do HSBC, em conversa com repórteres depois da assembleia geral anual do banco na sexta-feira. "Temos sorte porque não tivemos que lidar com muitos desses casos, mas quando você lida, são casos complexos, e é preciso lidar com eles de uma maneira que seja respeitosa e justa com todos."

O processo do HSBC pareceu andar mais rápido depois que um funcionário sênior do banco de investimentos enviou uma nota criticando o comportamento De Roux, segundo as fontes. O memorando para os executivos do HSBC, que incluía o CEO Flint, foi enviado depois do evento na prefeitura e de uma conversa que o funcionário sênior teve com a jovem, disseram as pessoas.

Jezz Farr, porta-voz do HSBC, disse em e-mail que o banco leva a sério as acusações de assédio. "Conduzimos uma investigação completa sobre as alegações que foram feitas e tomamos as medidas adequadas com base no resultado", disse Farr. "Esses tipos de investigação levam tempo."

De Roux não retornou as ligações e mensagens para seu celular, pedindo comentários. A jovem que fez as acusações não quis ser entrevistada.

Relatos de casos de suposto assédio se espalharam pelo mundo dos negócios, incluindo o de finanças, expondo falhas em alguns dos procedimentos internos dos bancos e colocando mais pressão sobre as empresas para melhorar o tratamento das queixas de conduta inadequada. O Standard Chartered, concorrente do HSBC, tem enviado memorandos aos funcionários com a rubrica #knowtherules (conheça as regras).

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Patricia Xavier, pbernardino1@bloomberg.net