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Jogadores de futebol americano dominam campo das redes sociais

Eben Novy-Williams

25/04/2019 13h07

(Bloomberg) -- Benny Snell cresceu muito desde quando era estudante do ensino médio.

Recrutado sem muita pompa quando chegou à Universidade de Kentucky, Snell saiu três anos depois como o líder de todos os tempos da faculdade, tanto em jardas percorridas (3.873) como em touchdowns (48). Agora, Snell é um dos melhores atacantes disponíveis no processo seletivo da NFL, a liga profissional de futebol americano, que começa esta semana.

Mas há outra métrica que é igualmente impressionante e que um dia poderá lhe render mais dinheiro. O número de seguidores de Snell nas redes sociais cresceu 15 vezes nos últimos anos, para mais de 145.000 no Instagram e no Twitter. Apesar das regras que impedem a autopromoção de jogadores universitários, Snell entrará na NFL com um grande público on-line, uma marca registrada e uma hashtag - #SnellYeah - e seu próprio site, SnellYeah.com.

"Eu sabia como trabalhar o jogo", disse Snell, de 21 anos, em entrevista na cidade de Lexington, estado de Kentucky, onde estava visitando um cavalo chamado - sim, adivinhou - Snell Yeah. "Sempre que um fã pede uma foto, eu vou tirar essa foto, porque quando postarem a foto, mais fãs irão ver."

Snell faz parte de um crescente número de atletas universitários que capitalizam sua popularidade. A NCAA (associação desportiva de universidades dos EUA) proíbe que atletas endossem produtos ou sejam pagos por patrocinadores, mas nada impede que se transformem celebridades on-line. E isso ajuda a estabelecer as bases para futuros acordos.

É uma tendência que Jim Nagy, diretor-executivo da Senior Bowl, tem notado ao longo dos últimos anos. Ao investir em sua própria marca na faculdade, os atletas "podem lucrar de fato quando se tornam profissionais, ao invés de começarem do zero na cidade da NFL em que forem parar", disse Nagy, ex-olheiro da NFL.

A fama de Snell nas redes sociais foi também impulsionada por uma parceria firmada em 2017 entre a Universidade de Kentucky e a INFLCR, uma startup com sede no Alabama que oferece aos atletas universitários fotos e vídeos personalizados para suas contas nas redes sociais. A INFLCR, categorizada como "influencer", tem como objetivo ajudar atletas universitários a se tornarem justamente isso. O serviço também permite que as universidades se promovam por meio de seus atletas com experiência nas mídias sociais.

Muitos fãs de esportes visualizaram posts da INFLCR sem saber a origem. A empresa trabalha diariamente com mais de 30 faculdades e milhares de atletas, como Zion Williamson, fenômeno do basquete da Universidade de Duke, cuja conta no Instagram tem mais de 3,2 milhões de seguidores. Mas, enquanto Zion era uma celebridade nacional muito antes de seu primeiro jogo na faculdade, atletas como Snell e Jaquan Johnson, ex-jogador de defesa de futebol americano da Universidade de Miami, tiveram que encontrar sua voz e seus seguidores.