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BlackRock vê ações 'muito baratas' no Brasil e na Argentina

Vinícius Andrade

21/05/2019 14h42

(Bloomberg) -- A maior gestora de recursos do mundo tem apostado as suas fichas em ações de Brasil e Argentina entre os mercados acionários na América Latina.

"Nós vemos os mercados de ações e moedas negociados a níveis muito baratos", disse Ed Kuczma, gestor de portfólio da BlackRock que supervisiona US$ 1,9 bilhão em fundos de ações de América Latina. "A fraqueza que estamos vendo agora gera oportunidades de longo prazo, já que as empresas vão tirar proveito do crescimento fraco para ajustar sua estrutura operacional", disse Kuczma, em entrevista por telefone.

O índice Ibovespa acumula queda de 4% no mês de maio, em meio ao ruído crescente no cenário político doméstico e a dados abaixo do esperado da atividade econômica. "Entre agora e a aprovação da reforma, deve haver volatilidade", disse Kuczma. "Estamos procurando oportunidades para aumentar o overweight em Brasil."

A BlackRock espera um desfecho positivo para a reforma da Previdência, projetando uma economia final entre R$ 500-700 bilhões em dez anos. A casa também vê a aprovação do texto na Câmara dos Deputados acontecendo no último trimestre do ano. "A grande questão no Brasil é a reforma da Previdência: o tamanho da economia e quando, de fato, será aprovada", Kuczma disse. "Isso deve destravar muito valor."

Entre as ações brasileiras, Kuczma tem preferido papeis de bancos e construtoras. "As construtoras saíram de um período muito desafiador. A inflação recuou e também vimos uma temporada muito forte de lançamentos no primeiro trimestre", disse ele. Para Kuczma, as ações do setor varejista no Brasil estão com o valuation "um pouco esticado".

Kuczma, que substituiu Will Landers após o veterano deixar a BlackRock para se tornar chefe de renda variável para América Latina na gestora do BTG Pactual, tem um pequeno overweight na Argentina, onde ele gosta de ações do setor de tecnologia e bancos. Enquanto o MSCI Argentina caiu 4% no acumulado do ano, a recente inclusão do país no índice de mercados emergentes MSCI é vista como um fator construtivo. "Com a inclusão, você começará a ver mais fluxos", disse ele.

No México, o cenário decepcionante para crescimento tem contrabalançado valuations atrativos, levando a BlackRock a adotar uma postura mais neutra, segundo Kuczma. "Alguns investidores tem sido hesitantes em colocar o dinheiro para trabalhar no México", disse.

--Com a colaboração de Carolina Millan.

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