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Valor de mercado do Slack supera US$ 19 bi sem IPO

Ellen Huet

21/06/2019 09h23

(Bloomberg) -- Nem todas ofertas públicas iniciais do Vale do Silício deste ano tiveram boa recepção entre os investidores. Mas o Slack, conhecido por seu serviço de mensagens corporativo, inovou na quinta-feira (20) e conseguiu que as ações disparassem em sua estreia na Bolsa sem um IPO.

O Slack começou a ser negociado a US$ 38,50 na Bolsa de Valores de Nova York na quinta-feira, bem acima do preço de referência de US$ 26 fixado para as ações na listagem direta. As ações encerraram o pregão de quinta-feira em US$ 38,62, o que representa um valor de mercado de US$ 19,5 bilhões.

É um enorme salto em relação à última rodada de financiamento privado do Slack em agosto, que avaliou a empresa em US$ 7,1 bilhões. A estreia de quinta-feira torna o Slack a segunda empresa de tecnologia de maior valor ao estrear na Bolsa americana este ano, superada apenas pelo Uber Technologies, avaliado em US$ 75 bilhões, mas acima da Lyft, precificada em US$ 18 bilhões.

O Slack listou diretamente suas ações na Bolsa de Valores de Nova York, sem o processo habitual de captação de recursos de uma oferta pública inicial. Os acionistas da empresa puderam vender papéis já no primeiro dia de negociação, sem necessidade de esperar o término do período de restrição.

O Spotify é outro exemplo de empresa que adotou uma estratégia incomum para estrear no mercado acionário. O provedor de streaming de música recorreu a uma manobra semelhante no ano passado. Desde então, as ações do Spotify subiram 13% em relação ao preço de referência.

O Goldman Sachs, Morgan Stanley e Allen & Co. coordenaram a abertura de capital do Slack, o mesmo trio de bancos que assessorou o Spotify.

O presidente do Slack, Stewart Butterfield, disse na quinta-feira que a empresa optou por não realizar um IPO tradicional por uma razão pragmática: não precisava do dinheiro. O processo de listagem direta é uma maneira mais eficiente de precificar uma ação", disse, "mas não acho que nada chegue perto de não precisar diluir os acionistas existentes em 10%".

Butterfield também disse que queria evitar o período de restrição. "Especialmente em um período em que você está bloqueado, quando a oferta é tão restrita, o impacto psicológico disso pode ser um grande ponto negativo", disse. "É mais importante dar a oportunidade aos funcionários antes."

Um dos primeiros investidores do Slack foi a Accel, uma empresa de capital de risco que agora possui uma participação de cerca de 24% na empresa. Andrew Braccia, sócio da Accel e membro do conselho do Slack, trabalhou com Butterfield no Yahoo! A Bloomberg Beta, braço de capital de risco da Bloomberg LP, também tem participação no Slack.

(Com a colaboração de Eric Newcomer e Sonali Basak)

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