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Deutsche Bank rema contra maré e corta gastos em tecnologia

Nicholas Comfort

17/07/2019 08h16

(Bloomberg) -- No centro do plano de reestruturação do presidente do Deutsche Bank, Christian Sewing, há uma aposta que rema contra a maré: o executivo acredita que pode cortar gastos com tecnologia e, ao mesmo tempo, ganhar mercado da concorrência.

Mesmo com a revolução digital em expansão no setor financeiro, o Deutsche Bank espera reduzir o investimento anual em tecnologia para 2,9 bilhões de euros (US$ 3,3 bilhões) em 2022 em relação ao pico de 4,2 bilhões de euros este ano.

"O Deutsche Bank provavelmente adoraria gastar mais em tecnologia, mas precisa de dinheiro para outras áreas da reestruturação", disse Pierre Drach, diretor-gerente da Independent Research, em Frankfurt. "É praticamente impossível que os bancos europeus alcancem os americanos neste estágio."

A equipe de Sewing diz que está fazendo avanços no ajustes das redes de informação que seu antecessor chamou de "antiquadas e inadequadas." Anos de expansão deixaram o banco com sistemas que não podiam se comunicar e que não monitoravam adequadamente as operações. O banco, que gastou quase US$ 18,5 bilhões em acordos legais e multas desde 2008, também sugeriu que as falhas nos controles foram resultado, em parte, de sistemas deficientes.

Os 4,2 bilhões de euros que o Deutsche Bank reservou este ano para manter e modernizar seus sistemas representam uma fração do orçamento de US$ 11,5 bilhões do JPMorgan Chase. "Você tem que gastar para ganhar" com novas tecnologias, disse o CEO do banco, Jamie Dimon, na terça-feira.

A diferença entre os bancos deve aumentar, já que Sewing quer reduzir os custos de tecnologia em quase 25%. Os bancos europeus, por sua vez, devem aumentar os investimentos em tecnologia a uma taxa anual de 4,8% até 2022, segundo a consultoria Celent.

"Continuamos a investir em TI para atender melhor os clientes, nos tornarmos mais seguros, mais eficientes e com melhor controle", disse Senthuran Shanmugasivam, porta-voz do Deutsche Bank, em resposta a perguntas da Bloomberg. "Apesar do menor volume, nossos planos de investimento em 2019 estão praticamente inalterados já que realocamos recursos para nossos principais negócios."

O menor investimento em tecnologia faz parte de uma redução de custos anunciada na semana passada, que inclui o corte de 18 mil empregos. O Deutsche Bank pretende reduzir os custos ajustados para 17 bilhões de euros em 2022 contra 22,8 bilhões de euros no ano passado; a parcela das despesas com tecnologia permaneceria estável durante esse período.

--Com a colaboração de Katie Linsell.

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