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Brasil precisa de corte de 0,50 pp para ampliar rali de ativos

Davison Santana

29/07/2019 18h23

(Bloomberg) -- Qualquer que seja a decisão de política monetária do BC na quarta-feira, uma coisa é clara: haverá uma forte reação do mercado, independentemente do que o Copom decidir.

Isso porque, ao contrário das reuniões anteriores, não há clareza sobre o que os membros do Copom farão ou qual será o tom do comunicado sobre a decisão. Os traders esperam uma redução na taxa básica - mesma expectativa para o Fed horas antes - mas é o tamanho do corte e o texto do comunicado que irá determinar se o rali nas ações continua.

A maioria dos analistas da pesquisa Bloomberg vê um corte de 0,25 ponto, mas a precificação na curva de juros é de uma redução de 43,9 pontos percentuais, o que significa que a maioria dos operadores vê a taxa se movendo meio ponto para baixo. Não importa o quão dovish os comentários possam ser, uma movimentação de 25 bps provavelmente levaria os operadores a ver um ciclo de corte de até 150 bps.

O oposto pode acontecer no caso de uma redução de 50 bps. Essa decisão pode levar muitos 'falcões' a jogar a toalha, movimentando não apenas os DIs, mas também impulsionando o Ibovespa.

O mercado de juros precifica um ciclo de flexibilização há tanto tempo que alguns operadores vêem o Banco Central como já atrás da curva, o que significa que manter inalterada a Selic geraria uma forte reação negativa do mercado.

A única exceção poderia ser o real, que se beneficiaria do maior carry.

No comunicado da última reunião do Copom, seus membros apontaram que uma redução futura da taxa estaria condicionada ao progresso de reformas no Congresso, sem deixar claro qual seria exatamente o grau desse progresso. Dados recentes de inflação abaixo das estimativas e indicadores fracos de atividade levam a crer que o Banco Central poderia atender às expectativas do mercado, enquanto uma abordagem mais cuidadosa poderia ser justificada pela incerteza das reformas.

  • NOTA: Davison Santana é um estrategista de FX que escreve para a Bloomberg. As observações que ele faz são dele e não pretendem ser conselhos de investimento
  • Algumas informações vêm de operadores FX familiarizados com as transações que pediram para não serem identificados porque não estão autorizados a falar publicamente

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