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Transporte marítimo mais limpo terá custo para clientes, diz BHP

Krystal Chia

25/09/2019 07h36

(Bloomberg) -- A maior mineradora do mundo tem uma mensagem clara diante da maior mudança no transporte marítimo em décadas: são os clientes que terão de arcar com o aumento dos custos para tornar a frota global menos poluente, diante da entrada em vigor de padrões mais rigorosos para combustíveis.

"Em grande parte, serão os receptores" que pagarão pelo estimado aumento dos custos ou seus próprios clientes, segundo o vice-presidente para excelência marítima e da cadeia de suprimentos da BHP, Rashpal Bhatti, que ajuda a empresa a transportar cerca de 350 milhões de toneladas de commodities por ano, principalmente minério de ferro. "Serão as siderúrgicas na China e no Japão", disse em entrevista.

Os mercados de commodities globais - assim como qualquer setor que transporta produtos por via marítima - estão em contagem regressiva até 1º de janeiro, quando navios serão obrigados a reduzir as emissões de enxofre para atender o novo padrão IMO 2020. A mudança deve elevar os custos, pois os navios devem queimar combustível mais limpo ou instalar depuradores que eliminam o excesso. Bhatti diz que a BHP apoia a mudança e, no geral, o setor está preparado.

"A BHP tem se preparado para isso nos últimos dois anos", disse por telefone. "As pessoas que investiram em prontidão operacional colherão os frutos por não terem embarcações com problemas de manutenção ou de produção fora do terminal", afirmou.

A maioria das commodities, incluindo minério de ferro, carvão, cobre e outros minérios, é produzida em minas fora dos mercados onde são usadas, e a única maneira viável de transportá-las de A até B é por navio. No caso do minério de ferro, o mercado marítimo totaliza cerca de 1,5 bilhão de toneladas por ano. Existem vastas minas na Austrália e no Brasil, e grande demanda na China, o maior comprador, que recebe 70% dos carregamentos.

Custos mais altos

A IMO 2020 deve elevar os custos por tonelada entre US$ 1 e US$ 2 para volumes nas rotas Austrália-China, e entre US$ 3 e US$ 4 entre Brasil-China, um trajeto mais longo, disse a BHP em relatório sobre o cenário para o setor no mês passado. Esses custos adicionais se comparam ao preço spot atual de US$ 89 a tonelada, segundo a Mysteel Global. Os contratos futuros são negociados em torno de US$ 87,40.

A mudança no transporte marítimo em 2020 virá depois de um ano volátil. Choques de oferta no Brasil e na Austrália provocaram uma escassez de minério de ferro no primeiro semestre, quando a commodity foi exportada a US$ 100 a tonelada. A maioria dos bancos, incluindo o Morgan Stanley, espera preços mais baixos no ano que vem com a recuperação da produção e menor demanda.

Navios

A BHP freta navios para transportar matérias-primas, com cerca de 120 embarcações na água em vários pontos. Suas rivais, como Rio Tinto e o Fortescue Metals, bem como a Vale, também estão fazendo os preparativos.

A Vale disse que os novos navios, conhecidos como Guaibamaxes, serão equipados com um sistema de depuração que elimina 97% das emissões de enxofre. A Rio Tinto, segunda maior mineradora do mundo, disse que "um amplo trabalho foi realizado para revisar e avaliar as opções de conformidade relacionadas aos nossos navios e parceiros de transporte".

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net