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Mercado volta a apostar em café com sinais de oferta apertada

Manisha Jha

29/11/2019 12h09

(Bloomberg) -- Os contratos futuros de café apontam para um dos maiores ralis mensais dos últimos anos, refletindo uma oferta mais apertada.

O tipo arábica é negociado perto do nível mais alto em 12 meses em Nova York: os contratos para entrega em março avançam 11% este mês. O ganho foi puxado por investidores que reduziram apostas na baixa, em meio à expectativa de que o mercado global de café passe a registrar déficit nesta temporada, em parte devido à menor oferta do Brasil.

É uma grande virada para as cotações do café, que caíram para o menor nível em mais de uma década em meio ao superávit global. A desvalorização obrigou muitos cafeicultores ao redor do mundo a reduzirem a oferta, já que os preços do grão caíram abaixo do custo de produção. Agora, essa estratégia começa se refletir nos estoques e deixa gestores de recursos mais otimistas.

"A mudança de paradigma do café está em andamento", disse por e-mail Toby Donovan, trader do Group Sopex, em Londres. "Há uma aceitação lenta, mas coletiva do mercado de que os futuros se desvalorizaram muito, e agora estamos recalibrando."

O arábica para entrega março acumula o maior ganho mensal desde que o contrato começou a ser negociado em 2017.

O tempo seco no Brasil nos últimos dois meses reduziu o potencial de produção e ajudou a sustentar os preços. As chuvas na maior região de café arábica do Brasil corresponderam a 59% da média histórica na semana passada, segundo dados da Somar Meteorologia. A produção de café do país deve cair 11% nos 12 meses encerrados em 30 de junho, segundo a unidade de Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos EUA.

O mercado de café também precisará aumentar muito a oferta para atender à demanda por café robusta, de acordo com Donovan, do Group Sopex.

"Todo mundo tem se concentrado na oferta e não está prestando atenção no outro lado", disse. "A demanda é forte."

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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