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Bilionários britânicos estouram champanhe e já buscam negócios

Tom Metcalf, Edward Robinson e Ben Stupples

13/12/2019 13h21

(Bloomberg) -- Peter Hargreaves, um dos maiores defensores do Brexit, tem muito o que comemorar.

A vitória do Partido Conservador não apenas garantiu a saída do Reino Unido da União Europeia. Também deu um impulso de US$ 300 milhões à sua fortuna na sexta-feira, já que investidores aprovaram o resultado.

O bilionário nascido em Lancashire possui uma participação de cerca de 30% da Hargreaves Lansdown. A valorização das ações em Londres na sexta-feira aumentou o valor da participação do empresário para US$ 4,1 bilhões, e sua fortuna total para US$ 4,6 bilhões.

"Estou muito aliviado", disse Hargreaves, culpando a falta de brilho de Jeremy Corbyn pelo resultado decepcionante do Partido Trabalhista. "Eu estava em contato com muitos amigos no Norte e eles ficaram surpresos com o número de eleitores trabalhistas no Norte que não votariam em Corbyn. Estavam petrificados com Corbyn."

Seus colegas ricos também tiveram um dia de ganhos. Os 16 britânicos no índice de Bilionários Bloomberg - como Jim Ratcliffe e James Dyson - tiveram um aumento de cerca de US$ 2,8 bilhões no patrimônio líquido combinado na sexta-feira.

Na noite passada, Michael Spencer, o fundador da corretora interdealer Icap e que há muito tempo faz doações para o Partido Conservador, deu uma festa no Scott's, o elegante restaurante de frutos do mar no distrito de Mayfair, em Londres, segundo uma a par do assunto. Cerca de 200 convidados brindaram a vitória do primeiro-ministro Boris Johnson com champanhe. Em comunicado, Spencer disse que o resultado foi um "repúdio nacional esmagador às perigosas e divisivas políticas neomarxistas" adotadas pela liderança do Partido Trabalhista.

Outros magnatas ficaram mais aliviados do que festivos.

"Não preciso comemorar - estou muito, muito feliz com o resultado", disse John Caudwell, que fundou a Phones 4U, varejista de telefones móveis. "Se os trabalhistas tivessem maioria ou se o parlamento fosse suspenso, o que não seria impossível, eu ficaria arrasado. Longe de comemorar, eu provavelmente estaria em algum canto chorando."

Esse sentimento ecoou pela City of London depois de meses de temor de que uma vitória de Corbyn causasse ainda mais estragos à economia britânica do que um Brexit duro, sem acordo de transição.

"As empresas em geral vão realmente apreciar a clareza", disse Jeremy Isaacs, financista e sócio-fundador da firma de private equity JRJ Group. "Os mercados devem reagir positivamente, pois o risco Corbyn passou e devemos ver o investimento direto estrangeiro fluindo para o país."

Embora Hargreaves tenha dito que ficaria no Reino Unido, não importando o resultado, muitas famílias ricas britânicas haviam planejado se mudar para regimes com mais isenção de impostos, como Mônaco ou Suíça, se Corbyn chegasse ao poder. Agora, esses planos desaparecem instantaneamente, diz John Elder, sócio-fundador do Family Office Advisors, empresa com sede em Londres que fornece consultoria estratégica para famílias abastadas. Agora, ele espera que os family offices saiam em busca de pechinchas em inúmeras classes de ativos no Reino Unido, desde propriedades a participações em empresas.

"Existe estabilidade política e clareza", disse Elder. "O Reino Unido agora é um país subvalorizado para investir pelo menos nos próximos cinco anos."

O mercado imobiliário de Londres, em particular, pode ter um impulso, segundo Liam Bailey, chefe global de pesquisa da Knight Frank.

"Isso vai liberar muita demanda reprimida no mercado", disse. "Um grupo que pode querer mover as coisas rapidamente são compradores no exterior. Com a valorização da libra, vão perder poder de compra, o que pode muito bem incentivar as transações", embora faça o alerta de que o Brexit ainda paira sobre o mercado.

Boris e Brexit

Outros gestores de recursos são mais cautelosos. Desde que o referendo do Brexit foi aprovado em junho de 2016, a Seven Investment Management, uma empresa de investimentos em Londres com 13 bilhões de libras em ativos, vinha eliminando ações do Reino Unido das carteiras e procurando preencher a lacuna com papéis no exterior. Agora, os gestores de seu portfólio analisarão de perto as ações britânicas, disse Ben Kumar, estrategista de investimentos da empresa. Mas ele ainda recomenda cautela aos clientes porque, depois do Brexit, ninguém sabe se Johnson conseguirá negociar novos acordos de livre comércio com Bruxelas até dezembro, e outro com Washington.

--Com a colaboração de Viren Vaghela, Ambereen Choudhury e Nishant Kumar.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Tom Metcalf London, tmetcalf7@bloomberg.net;Edward Robinson em London, edrobinson@bloomberg.net;Ben Stupples London, bstupples@bloomberg.net

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