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Nova era do foguete mira espaço sem sacrificar planeta

David Verbeek e Helene Fouquet

28/01/2020 15h04

(Bloomberg) -- Quando um SpaceX Falcon Heavy decola rumo ao espaço em uma nuvem de fumaça branca, gases quentes disparam de seus 27 motores, criando um impulso equivalente a 18 aeronaves Boeing 747.

Ao atingir a órbita, o foguete operacional mais pesado do mundo terá queimado cerca de 400 toneladas de querosene e emitido mais dióxido de carbono em poucos minutos do que um carro comum faria em mais de dois séculos. Esse tipo de choque na atmosfera alimenta preocupações sobre o impacto que o lançamento em órbita causa na Terra. E isso deve piorar.

Impulsionados pelo aumento das transmissões de dados e pela corrida por voos espaciais comerciais da Space Exploration Technologies, de Elon Musk, Blue Origin, de Jeff Bezos, e Virgin Galactic, de Richard Branson, os lançamentos - incluindo gigantes como o Falcon Heavy e novos minifoguetes - deverão multiplicar por dez, para cerca de 1.000 anualmente nos próximos anos.

Embora não haja regulamentações sobre emissões de foguetes, uma nova geração de pioneiros do espaço está se empenhando em desenvolver lançadores para tornar a atmosfera menos prejudicial ao planeta. Tem mais a ver com um escoteiro do espaço do que com um cowboy.

"As mudanças climáticas são reais e não queremos piorar as coisas", disse Chris Larmour, presidente da fabricante britânica de foguetes Orbex. A startup, fundada em 2015, que tem contrato com a integradora de lançamentos norte-americana TriSept Corp., usa o bio-propano que, segundo ele, pode reduzir as emissões de CO2 em 90% em comparação com o combustível de lançamento tradicional.

Além da poluição por gases de efeito estufa, os foguetes movidos a querosene transportam grandes quantidades de Carbono Negro, também conhecido como fuligem, para as camadas superiores da atmosfera. Lá, a substância permanece por muito tempo, criando um guarda-chuva que pode aumentar o aquecimento global. O combustível é amplamente utilizado porque é mais fácil de manusear do que combustíveis como o hidrogênio.

"Até agora, o único critério para todos fabricarem foguetes era desempenho e custo", disse Jean-Marc Astorg, diretor da agência espacial francesa CNES. "O meio ambiente não era uma prioridade. Isso está mudando.

A urgência de limpar as emissões de foguetes se intensifica. No ano passado, a indústria espacial lançou 443 satélites, mais do que o triplo em relação à década anterior, segundo o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior. As missões planejadas para Lua e Marte aumentarão a pressão sobre o meio ambiente.

--Com a colaboração de Justin Bachman.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: David Verbeek Frankfurt, dverbeek1@bloomberg.net;Helene Fouquet em Paris, hfouquet1@bloomberg.net